Categoria: Mundo

  • Mais de 500 municípios entram em alerta elevado para incêndios nos próximos meses

    Mais de 500 municípios entram em alerta elevado para incêndios nos próximos meses

    Estiagem, baixa umidade e condições climáticas aumentam preocupação com queimadas em diferentes regiões do país

    Mais de 500 municípios brasileiros estão classificados em nível alto de alerta para incêndios até novembro, diante da combinação de estiagem, baixa umidade e condições meteorológicas favoráveis à propagação do fogo.

    Centro-Oeste está entre regiões de atenção

    Áreas do Centro-Oeste e do Norte aparecem entre os pontos de maior preocupação.

    Durante períodos prolongados sem chuva, a vegetação seca funciona como combustível para a propagação rápida das chamas.

    Número de municípios monitorados é ainda maior

    Segundo as informações divulgadas, 2.482 municípios aparecem dentro do monitoramento relacionado ao risco de incêndios, embora os níveis de alerta variem entre as localidades.

    Impactos vão além do meio ambiente

    Grandes queimadas podem afetar diretamente a saúde da população.

    A fumaça aumenta a concentração de partículas no ar e pode agravar problemas respiratórios, especialmente em crianças, idosos e pessoas com doenças pulmonares.

    Prevenção será fundamental

    Autoridades reforçam anualmente que queimadas não autorizadas e ações humanas estão entre as principais causas de incêndios durante a estiagem.

    A redução dos focos depende da fiscalização, da prevenção e da conscientização da população.

    Com a aproximação dos meses mais secos em diversas regiões, o monitoramento deverá permanecer reforçado até novembro.

  • Congonhas poderá receber voos depois das 23h em situações excepcionais

    Congonhas poderá receber voos depois das 23h em situações excepcionais

    Anac autoriza flexibilização pontual do horário quando problemas meteorológicos ou emergências afetarem operações

    A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) autorizou que o Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, receba operações após as 23h em situações excepcionais.

    Regra não significa funcionamento irrestrito

    A flexibilização está relacionada a circunstâncias extraordinárias e não transforma o período noturno em uma nova faixa regular de operações.

    Segundo o setor aéreo, o mecanismo poderá ser utilizado principalmente quando eventos inesperados afetarem a malha.

    Mau tempo pode provocar efeito em cadeia

    Temporais, baixa visibilidade e outras condições meteorológicas podem atrasar pousos e decolagens durante várias horas.

    Quando isso acontece em aeroportos de grande movimento, um atraso pode afetar voos de diversas cidades.

    Passageiros podem ser beneficiados

    A possibilidade de concluir determinados voos depois das 23h pode evitar cancelamentos em situações específicas.

    Cancelamentos costumam exigir reacomodação de passageiros e podem gerar impactos sobre as operações do dia seguinte.

    Congonhas é estratégico

    Localizado em área central de São Paulo, Congonhas está entre os principais aeroportos do país e concentra grande número de viagens domésticas.

    Por isso, mudanças operacionais no terminal têm repercussão sobre toda a aviação nacional.

  • Brasil testa plataforma espacial para pesquisas em microgravidade

    Brasil testa plataforma espacial para pesquisas em microgravidade

    Experimentos podem abrir caminho para avanços em medicamentos, agricultura, biologia e desenvolvimento de novas tecnologias

    O Brasil realiza até 19 de setembro uma nova etapa de testes de uma plataforma destinada à realização de pesquisas científicas em condições de microgravidade.

    Ciência brasileira mira o espaço

    Ambientes de microgravidade permitem observar fenômenos físicos e biológicos de maneira diferente daquela encontrada na superfície terrestre.

    Essas condições são utilizadas por pesquisadores de diversos países para estudar materiais, células, medicamentos e processos industriais.

    Medicina pode ser beneficiada

    Uma das aplicações possíveis está no desenvolvimento de medicamentos.

    O comportamento de determinadas moléculas e estruturas biológicas pode mudar em microgravidade, permitindo aos cientistas obter informações que seriam difíceis de reproduzir em laboratórios convencionais.

    Agricultura também entra nas pesquisas

    Estudos espaciais também podem contribuir para compreender respostas de plantas e microrganismos a ambientes extremos.

    Essas informações podem posteriormente ser aproveitadas em pesquisas agrícolas e biotecnológicas.

    Autonomia científica

    O projeto também representa um passo importante para ampliar a capacidade brasileira de realizar experimentos espaciais.

    Quanto maior a infraestrutura nacional nessa área, menor a dependência de oportunidades oferecidas por programas estrangeiros.

  • Brasil já tem 2 milhões de trabalhadores que dependem de aplicativos

    Brasil já tem 2 milhões de trabalhadores que dependem de aplicativos

    Levantamento revela tamanho do trabalho por plataformas digitais e reforça debate sobre direitos, renda e novas relações profissionais

    Cerca de 2 milhões de brasileiros trabalham por meio de plataformas digitais, segundo dados de levantamento baseado na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad).

    Aplicativos mudaram mercado de trabalho

    Motoristas, entregadores e profissionais que encontram serviços por plataformas passaram a ocupar espaço significativo na economia brasileira.

    Esse modelo oferece flexibilidade de horários, mas também abriu debates sobre remuneração, proteção social e direitos trabalhistas.

    Número mostra dimensão do fenômeno

    A presença de 2 milhões de pessoas nesse segmento demonstra que o chamado trabalho por aplicativo deixou de ser um fenômeno restrito às grandes capitais.

    As plataformas estão hoje presentes em cidades de diferentes portes e regiões.

    Regulamentação segue em debate

    Um dos principais desafios está na definição da relação entre empresas e trabalhadores.

    Enquanto plataformas defendem modelos flexíveis, representantes dos profissionais cobram mecanismos de proteção contra acidentes, acesso à Previdência e maior previsibilidade de renda. 

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    Tecnologia seguirá transformando empregos

    Especialistas apontam que novas plataformas devem ampliar ainda mais formas de trabalho intermediadas digitalmente.

    Além de transporte e entrega, áreas como serviços domésticos, programação, design, aulas particulares e consultorias já utilizam esse tipo de contratação.

  • Isenção para compras internacionais de até US$ 50 muda regras do comércio eletrônico

    Isenção para compras internacionais de até US$ 50 muda regras do comércio eletrônico

    Nova legislação zera tarifa federal conhecida como “taxa das blusinhas” e altera cenário para consumidores e plataformas internacionais

    O governo federal sancionou uma mudança importante nas regras de compras internacionais ao zerar a tarifa federal aplicada a encomendas de até US$ 50, conhecida popularmente como “taxa das blusinhas”.

    Mudança atinge comércio eletrônico

    A medida tem impacto direto sobre milhões de consumidores que utilizam plataformas internacionais para adquirir roupas, acessórios, eletrônicos e outros produtos de baixo valor.

    O comércio eletrônico internacional cresceu rapidamente nos últimos anos, tornando a tributação dessas compras tema frequente de debates entre governo, varejistas e consumidores.

    Consumidor pode sentir diferença

    A retirada da tarifa federal tende a reduzir parte do custo final das encomendas dentro da faixa beneficiada.

    Ainda assim, outros tributos eventualmente aplicáveis continuam sujeitos às respectivas regras, por isso o preço final não depende apenas da tarifa federal.

    Varejo acompanha decisão

    Empresas brasileiras acompanham as mudanças com atenção.

    Representantes do comércio nacional frequentemente argumentam que diferenças tributárias entre produtos nacionais e importados podem afetar a competitividade.

    Mercado deve passar por nova adaptação

    Plataformas internacionais também precisarão adequar sistemas de cobrança e informações apresentadas aos consumidores.

    A expectativa agora é observar se a mudança provocará aumento no volume de compras internacionais de pequeno valor.

  • Brasileiros retiram R$ 10,5 bilhões da poupança e saldo negativo se mantém

    Brasileiros retiram R$ 10,5 bilhões da poupança e saldo negativo se mantém

    Agosto registra terceiro mês consecutivo com mais saques do que depósitos na caderneta, segundo dados do Banco Central

    Os brasileiros retiraram R$ 10,5 bilhões a mais do que depositaram na poupança durante agosto, mantendo uma tendência de saída de recursos da aplicação financeira mais tradicional do país.

    Terceiro mês seguido de retiradas

    Segundo os dados divulgados, agosto marcou o terceiro mês consecutivo de saldo negativo.

    Ao longo de 2026, apenas maio registrou volume de depósitos superior ao total retirado pelos poupadores.

    Comportamento não é novo

    A perda de recursos da poupança também foi registrada em anos anteriores.

    Em 2023, as retiradas líquidas alcançaram R$ 87,8 bilhões. Em 2024, o resultado negativo ficou em R$ 15,5 bilhões, enquanto 2025 terminou com saída líquida de R$ 85,6 bilhões.

    Outras aplicações disputam recursos

    A mudança também acontece em um ambiente no qual investidores encontram outras opções de renda fixa.

    Com juros elevados, produtos financeiros associados à taxa básica podem apresentar maior atratividade, dependendo do perfil e dos objetivos de cada investidor.

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    Movimento ajuda a medir comportamento das famílias

    Além de representar uma escolha de investimento, os saques podem refletir situações em que famílias recorrem às reservas financeiras para complementar o orçamento.

    Por isso, o comportamento da poupança é acompanhado como um dos indicadores do nível de reservas financeiras dos brasileiros.

  • Eleições 2026: trabalhador convocado pela Justiça Eleitoral pode ter direito a folgas em dobro

    Eleições 2026: trabalhador convocado pela Justiça Eleitoral pode ter direito a folgas em dobro

    Mesários e outros colaboradores recebem dois dias de compensação para cada dia de serviço eleitoral, incluindo treinamentos oficiais

    Quem atua nas eleições a serviço da Justiça Eleitoral pode ter direito à chamada folga eleitoral, benefício que garante compensação em dobro pelos dias dedicados ao processo eleitoral.

    A regra vale para mesários, integrantes de Juntas Eleitorais e outras pessoas convocadas para auxiliar nos trabalhos das eleições. O direito está previsto na Lei nº 9.504/1997, a Lei das Eleições.

    Dois dias de folga para cada dia trabalhado

    Para cada dia de serviço prestado à Justiça Eleitoral, o trabalhador tem direito a dois dias de folga, sem desconto no salário e sem prejuízo de férias ou de outros direitos trabalhistas.

    A contagem não considera apenas os dias de votação.

    Também entram no cálculo os treinamentos oficiais promovidos pela Justiça Eleitoral.

    Por exemplo, se uma pessoa participar de um dia de treinamento, trabalhar no primeiro turno e também no segundo turno, serão três dias de serviço eleitoral. Nesse caso, ela poderá ter direito a seis dias de folga compensatória.

    Quem pode receber o benefício

    O direito é destinado a trabalhadores que possuam vínculo empregatício no período em que prestam o serviço eleitoral.

    Isso inclui funcionários da iniciativa privada e servidores públicos.

    Entre os convocados que podem receber a compensação estão:

    • mesários;
    • integrantes das Juntas Eleitorais;
    • auxiliares requisitados pela Justiça Eleitoral.

    Folgas devem ser combinadas com o empregador

    As datas para utilização das folgas devem ser definidas de comum acordo entre o trabalhador e o empregador.

    Os dias podem ser concedidos de forma consecutiva ou separados, desde que o direito seja respeitado e a organização da empresa ou do órgão público também seja considerada.

    A compensação não pode resultar em redução de salário ou perda de vantagens trabalhistas.

    Como comprovar que trabalhou nas eleições

    Para solicitar as folgas, o trabalhador deve apresentar a declaração de participação fornecida pela Justiça Eleitoral.

    O documento comprova os dias de serviço prestados e pode ser utilizado junto ao empregador para solicitar a compensação.

    O direito está relacionado ao vínculo de trabalho existente no momento da convocação. Em situações de mudança de emprego ou interrupção do vínculo, a concessão das folgas pode exigir análise específica.

    Mesários também podem receber outros benefícios

    Além das folgas compensatórias, quem trabalha nas eleições pode ter acesso a outras vantagens.

    Entre elas estão auxílio-alimentação nos dias de votação, possibilidade de utilização da atividade como critério de desempate em concursos públicos quando houver previsão no edital e aproveitamento como horas complementares em instituições de ensino que reconheçam esse tipo de atividade.

    A recomendação é que o eleitor convocado guarde a documentação fornecida pela Justiça Eleitoral para comprovar sua participação e organizar posteriormente o uso das folgas com o empregador.

  • Autoridades reagem a pedido de freio no avanço da inteligência artificial

    Autoridades reagem a pedido de freio no avanço da inteligência artificial

    CEO da Anthropic defende ritmo mais cauteloso para o desenvolvimento de modelos avançados, enquanto governo dos EUA mantém foco na liderança tecnológica

    O debate sobre os limites do desenvolvimento da inteligência artificial (IA) ganhou força nos Estados Unidos depois que Dario Amodei, CEO da Anthropic, defendeu uma desaceleração no avanço dos modelos mais sofisticados.

    A proposta surge em meio a alertas sobre o uso indevido da tecnologia e sobre a velocidade com que sistemas cada vez mais autônomos estão sendo desenvolvidos. Amodei argumenta que empresas e governos precisam de mais tempo para criar mecanismos de segurança capazes de acompanhar a evolução da IA.

    CEO defende mais tempo para avaliações

    Amodei não propõe abandonar o desenvolvimento da inteligência artificial. A ideia apresentada por ele é reduzir temporariamente a velocidade de evolução das capacidades dos modelos, permitindo que avaliações de segurança acompanhem o progresso tecnológico.

    Entre as medidas defendidas estão avaliações independentes antes do lançamento de sistemas mais avançados e a criação de padrões comuns de segurança entre empresas do setor.

    O executivo também sugere a criação de “pontos de controle”, nos quais determinadas capacidades alcançadas por um modelo exigiriam novas avaliações e certificações antes que o desenvolvimento avançasse para a etapa seguinte.

    Proposta ganha apoio dentro do setor

    O alerta de Amodei encontrou eco entre outros nomes importantes da indústria tecnológica.

    Sam Altman, CEO da OpenAI, afirmou que é necessário dosar o ritmo de avanço da tecnologia, enquanto Elon Musk declarou concordar com a posição do executivo da Anthropic. Mais de mil funcionários de empresas de IA também assinaram uma petição defendendo medidas para desacelerar deliberadamente o desenvolvimento dos sistemas mais avançados.

    O movimento mostra que a discussão deixou de estar restrita a pesquisadores e especialistas em segurança e passou a envolver diretamente os principais executivos da indústria.

    Governo americano enfrenta dilema

    Nos Estados Unidos, o debate coloca o governo diante de uma escolha estratégica: aumentar o controle sobre a tecnologia ou priorizar a velocidade da inovação para manter a liderança mundial.

    A administração de Donald Trump tem defendido a importância da liderança americana em inteligência artificial, especialmente diante da competição tecnológica com a China.

    Em agosto, os Estados Unidos criaram um mecanismo voluntário para revisão de segurança de modelos avançados antes de sua disponibilização. A iniciativa, porém, é considerada insuficiente por alguns especialistas devido ao caráter não obrigatório das medidas.

    Uso indevido aumenta preocupação

    O pedido de cautela também ocorre depois de casos em que sistemas de IA foram utilizados em operações cibernéticas, vigilância, propaganda e outras atividades consideradas de risco.

    A própria Anthropic divulgou recentemente informações sobre o uso indevido de seu modelo Claude por diferentes grupos. A empresa afirma ter identificado e bloqueado algumas dessas atividades.

    Esses episódios aumentaram a preocupação de que ferramentas cada vez mais autônomas possam reduzir o custo e o conhecimento técnico necessários para determinadas operações digitais.

    EUA e China aparecem no centro da discussão

    Uma das maiores dificuldades para qualquer tentativa de desacelerar a IA é a competição geopolítica entre Estados Unidos e China.

    Amodei defende uma coordenação entre empresas e governos de países democráticos e, em uma etapa posterior, algum nível de diálogo internacional envolvendo Washington e Pequim.

    O objetivo seria evitar que medidas de segurança adotadas por apenas um país resultem em perda de competitividade tecnológica.

    Debate deve crescer nos próximos anos

    A discussão sobre o ritmo de desenvolvimento da IA deve ganhar ainda mais importância à medida que os sistemas se tornam capazes de executar tarefas cada vez mais complexas.

    O principal desafio para governos e empresas será encontrar um equilíbrio entre inovação, segurança e competitividade internacional.

    A declaração do CEO da Anthropic representa uma mudança importante no discurso de uma das principais empresas do setor e coloca uma questão no centro do debate mundial: até onde a tecnologia deve avançar antes que as regras de segurança consigam acompanhá-la?

  • José Sarney é internado com pneumonia em São Luís; estado de saúde é estável

    José Sarney é internado com pneumonia em São Luís; estado de saúde é estável

    Ex-presidente, de 96 anos, está em tratamento com antimicrobianos venosos e segue respirando sem auxílio de oxigênio

    O ex-presidente José Sarney, de 96 anos, foi internado neste domingo (13) em um hospital de São Luís, no Maranhão, após apresentar um quadro de infecção respiratória diagnosticada como pneumonia.

    Segundo boletim médico divulgado pela unidade de saúde, Sarney permanece em condição clínica estável e segue sob acompanhamento da equipe médica.

    Ex-presidente respira em ar ambiente

    De acordo com as informações divulgadas pelo hospital, José Sarney está com a pressão arterial controlada e respira espontaneamente, sem necessidade de suporte de oxigênio.

    O tratamento inclui o uso de antimicrobianos administrados por via intravenosa, medida adotada para combater a infecção respiratória.

    Até o momento, não há previsão para alta hospitalar.

    Sarney agradece mensagens de apoio

    Nas redes sociais, o ex-presidente confirmou que está internado para realização de exames e tratamento da pneumonia.

    Sarney afirmou que seu estado de saúde permanece estável e agradeceu as mensagens recebidas durante o período de internação.

    O ex-presidente também destacou que continua sob acompanhamento médico.

    Boletim foi divulgado neste domingo

    O boletim médico foi divulgado na noite deste domingo pela UDI Hospital, da Rede D’Or, em São Luís.

    A equipe médica mantém o monitoramento do quadro clínico e, por enquanto, não informou quando Sarney poderá deixar o hospital.

    A evolução do tratamento deverá determinar os próximos passos e a possível liberação do ex-presidente nos próximos dias.

  • Trump leva sua política de confronto para a delicada questão irlandesa

    Trump leva sua política de confronto para a delicada questão irlandesa

    Postura do presidente americano reacende tensões políticas em torno da Irlanda do Norte e coloca em evidência o equilíbrio construído pelo Acordo da Sexta-Feira Santa

    A atuação de Donald Trump na política internacional começa a alcançar uma das questões mais delicadas da Europa: a relação entre a Irlanda, a Irlanda do Norte e o Reino Unido. A postura do presidente americano, marcada por confrontos políticos e forte pressão sobre adversários, passa a ser observada com atenção em uma região onde décadas de conflito deram lugar a um frágil processo de paz.

    A questão irlandesa possui características próprias e envolve não apenas interesses políticos, mas também identidade nacional, religião, soberania e o futuro da Irlanda do Norte dentro ou fora do Reino Unido.

    Um equilíbrio construído após décadas de conflito

    A situação atual da Irlanda do Norte é resultado de um longo processo de negociação que culminou no Acordo da Sexta-Feira Santa, de 1998.

    O acordo ajudou a encerrar décadas de violência conhecidas como The Troubles, estabelecendo mecanismos de compartilhamento de poder entre diferentes grupos políticos e garantindo o princípio de que o futuro constitucional da Irlanda do Norte deve respeitar a vontade da população.

    A manutenção desse equilíbrio continua sendo uma das principais preocupações políticas na região.

    Brexit voltou a colocar a fronteira no centro do debate

    A saída do Reino Unido da União Europeia criou um novo problema para a ilha da Irlanda.

    A fronteira entre a República da Irlanda e a Irlanda do Norte tornou-se uma das questões mais complexas das negociações do Brexit, justamente porque qualquer retorno de uma fronteira física poderia provocar consequências políticas e econômicas.

    O desafio passou a ser preservar a circulação entre os dois lados sem comprometer as regras comerciais estabelecidas após a saída britânica da União Europeia.

    Trump entra em uma questão extremamente sensível

    É nesse cenário que a política de Donald Trump passa a ser observada com preocupação por setores envolvidos na questão irlandesa.

    A característica mais confrontadora de sua atuação internacional pode encontrar limites em um processo de paz construído durante décadas e que depende de negociação, equilíbrio entre comunidades e respeito aos acordos existentes.

    Qualquer pressão externa sobre esse sistema pode ter efeitos políticos que ultrapassam as disputas tradicionais entre governos.

    Debate sobre uma Irlanda unificada ganha espaço

    Outro elemento importante é o crescimento do debate sobre a possibilidade de uma Irlanda unificada.

    O tema ganhou força nos últimos anos com mudanças no cenário político da Irlanda do Norte e com o crescimento de partidos favoráveis à reunificação.

    Pelo Acordo da Sexta-Feira Santa, existe a possibilidade de realização de um referendo sobre a união da Irlanda do Norte com a República da Irlanda caso as condições previstas no acordo sejam atendidas.

    A questão, portanto, não é apenas uma disputa entre Irlanda e Reino Unido, mas envolve diretamente o direito de escolha da população norte-irlandesa.

    O risco de transformar negociação em confronto

    A experiência histórica da Irlanda mostra que decisões políticas tomadas sem considerar o equilíbrio entre diferentes grupos podem produzir consequências profundas.

    Por isso, a questão irlandesa exige uma abordagem diferente de disputas comerciais ou diplomáticas convencionais. O principal desafio é preservar a paz enquanto se discutem mudanças constitucionais e políticas.

    A entrada de Trump nesse debate acrescenta uma nova variável a um cenário que já envolve Londres, Dublin, Belfast e a União Europeia.

    Uma questão que ultrapassa fronteiras

    A disputa em torno da Irlanda do Norte demonstra como decisões políticas internacionais podem afetar processos de paz construídos ao longo de décadas.

    A preocupação central é evitar que a polarização política substitua o diálogo que permitiu reduzir a violência na região.

    Nesse contexto, a atuação americana será acompanhada de perto, especialmente porque qualquer mudança no equilíbrio entre os diferentes grupos da ilha poderá ter repercussões políticas muito além das fronteiras da Irlanda.