Presidente confirmou apoio ao ex-ministro da Fazenda na corrida paulista e usou agenda em São Paulo para atacar a gestão do governador do Republicanos
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) oficializou o lançamento de Fernando Haddad como candidato ao governo de São Paulo e abriu a pré-campanha com ataques diretos ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Haddad deixou o comando do Ministério da Fazenda para entrar na disputa, movimento tratado pelo Planalto e pelo PT como estratégico para tentar retomar o principal colégio eleitoral do país.
A confirmação da candidatura ocorreu nesta semana, com Lula bancando pessoalmente o nome de Haddad para reeditar o confronto de 2022 em São Paulo. O agora ex-ministro aceitou o pedido do presidente e passou a concentrar sua atuação na campanha estadual, enquanto Dario Durigan foi anunciado para substituí-lo na Fazenda.
No mesmo movimento em que impulsionou Haddad, Lula subiu o tom contra Tarcísio durante evento com prefeitos paulistas na Caravana Federativa, em São Paulo. O presidente afirmou que os prefeitos do estado são “pouco e mal recebidos” pelo governo estadual, numa crítica ao relacionamento do Palácio dos Bandeirantes com os municípios.
Lula também acusou Tarcísio de “plagiar” políticas habitacionais federais ao afirmar que o programa Casa Paulista reproduz ações do Minha Casa, Minha Vida e ainda resgata um nome ligado à gestão de Geraldo Alckmin no estado. Na fala, o presidente disse que o governador deveria reconhecer a participação do governo federal nas moradias entregues em São Paulo.
O gesto de Lula deixou claro que a eleição paulista já começou a ser tratada como uma das batalhas centrais de 2026. São Paulo é visto como estado-chave para a estratégia nacional do PT, e Haddad aparece como o nome de maior confiança política do presidente para tentar enfrentar Tarcísio, hoje um dos principais quadros da direita e aliado de Jair Bolsonaro.
Apesar do apoio de Lula, Haddad entra na disputa em posição desafiadora. Segundo a Reuters, pesquisas recentes mostram o petista atrás de Tarcísio por cerca de 13 pontos, indicando uma campanha difícil desde a largada. Ainda assim, o Planalto aposta no peso político de Lula, na estrutura do PT e na tentativa de nacionalizar a disputa para reduzir a vantagem do atual governador.
A entrada de Haddad no páreo e o ataque frontal de Lula a Tarcísio antecipam um confronto duro em São Paulo, com potencial de se tornar um dos principais palcos da polarização nacional. De um lado, o PT tenta reconquistar espaço no estado mais rico do país; do outro, Tarcísio buscará usar a força da máquina estadual e sua ligação com o eleitorado conservador para sustentar a reeleição.



