Bolsonaro pede ao STF visitas periódicas de Rogério Marinho na prisão e amplia articulações para 2026

Defesa do ex-presidente solicitou autorização para que o senador possa visitá-lo regularmente no presídio, dentro das regras já fixadas; Flávio Bolsonaro também foi registrado como advogado do pai

O ex-presidente Jair Bolsonaro solicitou, nesta quinta-feira (12), por meio de sua equipe de defesa, autorização para que o senador Rogério Marinho (PL-RN) passe a visitá-lo regularmente na prisão. O pedido foi encaminhado ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, e, segundo os advogados, não representa qualquer mudança nas condições já estabelecidas para as visitas.

De acordo com a petição apresentada pela defesa, a intenção é apenas permitir encontros periódicos sem a necessidade de novos requerimentos a cada ocasião. As visitas, conforme informado no documento, seguiriam o mesmo padrão já autorizado: sempre às quartas-feiras, no período das 8h às 10h.

Na manifestação enviada ao STF, os advogados argumentam que a medida busca dar maior praticidade ao procedimento e evitar a repetição de pedidos formais. Segundo a defesa, o objetivo é “permitir a realização de encontros periódicos dentro das condições já estabelecidas, evitando-se a necessidade de sucessivos requerimentos específicos para cada ocasião”.

Rogério Marinho ocupa papel relevante no campo político bolsonarista e é apontado como coordenador da campanha do pré-candidato Flávio Bolsonaro. A solicitação, portanto, ocorre em meio a um cenário de reorganização política do grupo aliado ao ex-presidente, especialmente com foco nas articulações para as eleições de 2026.

Bolsonaro está preso no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, onde cumpre pena de 27 anos de prisão por supostamente liderar um plano de golpe de Estado após as eleições de 2022, com o objetivo de mantê-lo no poder. Nesse contexto, a movimentação da defesa é interpretada como parte de uma estratégia para preservar os canais de interlocução política do ex-presidente, mesmo durante o período de encarceramento.

Outro movimento que reforça essa linha de atuação foi o registro do senador Flávio Bolsonaro como advogado do pai. A medida amplia as possibilidades de contato direto, já que advogados têm livre acesso a seus clientes, sem necessidade de autorização prévia para visitas, diferentemente do que ocorre com outros interlocutores.

A estratégia remete a um precedente político conhecido no país. Em 2018, durante a campanha presidencial, o então candidato Fernando Haddad (PT) utilizou expediente semelhante para manter contato com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que também estava preso naquele período. Na ocasião, a atuação formal como advogado permitiu interlocução mais frequente e sem barreiras administrativas.

No caso de Bolsonaro, a soma dos dois movimentos — o pedido de visitas regulares de Rogério Marinho e o registro de Flávio Bolsonaro como advogado — indica uma tentativa de manter ativa sua influência política e sua participação indireta nas decisões do grupo aliado. Mesmo longe da rotina pública e restrito ao ambiente prisional, o ex-presidente busca preservar interlocutores estratégicos e continuar inserido nas discussões que envolvem o futuro de seu campo político.

A decisão sobre o pedido da defesa caberá agora ao ministro Alexandre de Moraes. Até lá, o requerimento reforça que, além da dimensão jurídica, o caso segue cercado por forte peso político, sobretudo diante da proximidade do ciclo eleitoral de 2026 e da movimentação de aliados para manter Bolsonaro no centro das articulações da direita brasileira.