Fundo ligado à gestora Reag entrou na mira da comissão por ter comprado participação no Resort Tayayá, empreendimento que já teve fatia de empresa da família do ministro Dias Toffoli.
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), anulou nesta quinta-feira, 19 de março, a quebra de sigilo do fundo de investimentos Arleen, aprovada pela CPI do Crime Organizado no Senado. A decisão interrompe uma das frentes de apuração abertas pela comissão sobre operações financeiras relacionadas ao caso Banco Master.
Ao justificar a medida, Gilmar afirmou que a quebra de sigilo é providência excepcional e, por isso, não pode ser aprovada de forma genérica, simbólica ou em bloco. Segundo o ministro, a Constituição exige análise individualizada, fundamentação específica e deliberação motivada em cada caso submetido ao colegiado.
O fundo Arleen passou a ser alvo da CPI por sua ligação com a gestora Reag, citada nas apurações sobre o Banco Master, e por ter comprado, em 2021, participação no Resort Tayayá, no Paraná. A fatia havia pertencido à Maridt Participações, empresa da família de Dias Toffoli, que admitiu participação societária e negou relação com Daniel Vorcaro ou recebimento de valores dele e de Fabiano Zettel.
A decisão de Gilmar também amplia a repercussão em torno da relação entre o caso Master e negócios vinculados ao Tayayá. Reportagens publicadas nesta quinta mostram que o Arleen aparece nesse enredo por ter sido usado na estruturação da compra de participação no resort, em meio a questionamentos sobre fundos administrados pela Reag e transações analisadas por órgãos de controle.
A reação no Senado foi imediata. O relator da CPI do Crime Organizado, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), criticou duramente a medida e afirmou ver um “muro de proteção” em torno de Toffoli, além de acusar ministros de tentar travar investigações. Já o presidente da CPI, senador Fabiano Contarato (PT-ES), declarou que a comissão vai recorrer e classificou a decisão como uma interferência nas prerrogativas do Legislativo.
Com a decisão, a CPI sofre mais um revés em sua ofensiva para aprofundar o rastreamento de recursos e conexões empresariais ligadas ao caso Master. O embate deve continuar nos próximos dias, agora com recurso anunciado pela comissão e novo capítulo na disputa entre o poder investigatório do Parlamento e os limites constitucionais impostos pelo Supremo.



