Presidente afirmou que acordo permite ampliar o espaço para exportadores brasileiros no mercado chinês; setor avalia medida de forma positiva
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o Uruguai cedeu ao Brasil parte de sua cota de exportação de carne bovina destinada à China. A declaração foi feita durante compromissos do presidente em Nova York e ocorre em meio às negociações comerciais entre os países.
A medida pode ampliar o espaço disponível para empresas brasileiras no mercado chinês, que é um dos principais destinos da carne bovina produzida no Brasil. O governo brasileiro e representantes do setor acompanham os possíveis efeitos da iniciativa.
China é principal mercado do agronegócio brasileiro

A China ocupa uma posição central nas exportações brasileiras do agronegócio. Segundo o Ministério da Agricultura, o país asiático respondeu por 36,1% das exportações brasileiras do setor em 2023, maior participação registrada até então na série histórica do órgão.
A carne bovina está entre os produtos brasileiros com forte presença no mercado chinês, fazendo com que mudanças nas condições de acesso tenham impacto direto sobre frigoríficos e produtores.
Cota define volume com condições específicas
A China estabeleceu uma cota para as importações de carne bovina de cada país. Para o Brasil, a cota é de 1,106 milhão de toneladas, com tarifa de 12% dentro desse limite. O Ministério da Agricultura informou em julho que aproximadamente 80% da cota brasileira havia sido utilizada.
Volumes que ultrapassem os limites estabelecidos estão sujeitos a condições tarifárias diferentes, conforme as regras chinesas.
Uruguai pode ampliar espaço para o Brasil
Segundo Lula, a transferência de parte da cota uruguaia permitiria que exportadores brasileiros tenham acesso a um volume adicional no mercado chinês.
A medida ainda depende dos procedimentos necessários para sua implementação e das regras estabelecidas pelas autoridades chinesas.
A possibilidade de utilizar parte de uma cota originalmente destinada ao Uruguai pode aumentar as oportunidades de exportação para empresas brasileiras.
Setor avalia medida positivamente
A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC) avaliou positivamente iniciativas que ampliem o acesso da carne bovina brasileira ao mercado chinês.
Para o setor, a ampliação do espaço de exportação pode beneficiar a cadeia produtiva, envolvendo frigoríficos, produtores rurais e empresas ligadas à logística.
Exportações brasileiras seguem em alta
A produção brasileira de carne bovina continua relevante no comércio internacional. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), as exportações brasileiras de carne bovina devem alcançar 4,73 milhões de toneladas em 2026, alta estimada de 4,46% em relação ao ano anterior.
O desempenho ocorre mesmo diante de mudanças nas condições de acesso a alguns mercados internacionais.
Relação comercial com a China ganha importância
A ampliação das oportunidades para a carne bovina ocorre dentro de uma relação comercial mais ampla entre Brasil e China.
Os dois países também vêm aprofundando cooperações em áreas como agricultura, comércio e mercados de carbono. Em setembro, Brasil, China e União Europeia participaram de uma iniciativa para aproximar mercados regulados de carbono.
Impacto será acompanhado pelo agronegócio
A eventual utilização de parte da cota uruguaia pelos exportadores brasileiros deverá ser acompanhada pelo setor nos próximos meses.
O volume efetivamente disponibilizado e as condições para sua utilização dependerão da regulamentação e dos procedimentos comerciais entre os países.
A declaração de Lula coloca a ampliação do acesso à China como mais um elemento relevante para as exportações brasileiras de carne bovina e para o desempenho do agronegócio nacional.

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