Porta-voz da agência afirmou que a precipitação contaminada por resíduos de petróleo pode comprometer a qualidade do ar. Após um bombardeio atingir uma instalação energética, autoridades de Teerã orientaram os moradores a permanecerem dentro de casa como medida de precaução.
A Organização Mundial da Saúde alertou nesta terça-feira (10) que a chamada “chuva negra” registrada no Irã após ataques a instalações petrolíferas pode provocar problemas respiratórios. A entidade também apoiou a orientação das autoridades iranianas para que a população permaneça em casa.
A agência de saúde da ONU, que mantém um escritório no país e atua em cooperação com autoridades locais em situações de emergência sanitária, informou ter recebido diversos relatos de chuvas misturadas com resíduos de petróleo ao longo da semana.
Segundo a Reuters, a cidade de Teerã foi encoberta por uma densa fumaça negra na segunda-feira, após uma refinaria de petróleo ser atingida durante uma escalada de ataques contra a infraestrutura energética do país, em meio à campanha militar conduzida por Estados Unidos e Israel.
“O fenômeno da chuva negra, acompanhado por chuva ácida, representa de fato um risco para a população, especialmente para o sistema respiratório”, afirmou o porta-voz da OMS, Christian Lindmeier, durante entrevista coletiva realizada em Genebra.
Ao ser questionado se a OMS apoia a recomendação das autoridades iranianas para que as pessoas permaneçam dentro de casa, Lindmeier respondeu que a medida é prudente diante da situação atual.
“Considerando os riscos envolvidos neste momento — com instalações de armazenamento de petróleo e refinarias atingidas, provocando incêndios e levantando sérias preocupações sobre a qualidade do ar — essa é definitivamente uma boa recomendação”, declarou.
Como se forma a chuva ácida
A chuva ácida ocorre quando poluentes liberados na atmosfera reagem com o vapor d’água presente no ar, formando substâncias ácidas que retornam à superfície por meio da precipitação.
Os principais responsáveis por esse fenômeno são gases como dióxido de enxofre (SO₂) e óxidos de nitrogênio (NOₓ). Essas substâncias podem ser liberadas em grandes quantidades durante a queima de combustíveis fósseis, especialmente em refinarias, depósitos de combustível e outras instalações industriais.
Quando esses gases alcançam a atmosfera, eles passam por reações químicas que resultam principalmente na formação de ácido sulfúrico e ácido nítrico. Esses compostos acabam se dissolvendo nas gotículas de água presentes nas nuvens.
Ao precipitar, essa água torna a chuva mais ácida do que o normal, caracterizando o fenômeno conhecido como chuva ácida.
O que acontece após a explosão
Em episódios como o registrado no Irã, uma grande quantidade de poluentes pode ser liberada na atmosfera em um curto período de tempo. Esse material forma nuvens densas de fumaça e partículas, como a fuligem, que podem alterar a composição da chuva.
Além de escurecer o céu — fenômeno que pode dar a sensação de que o dia virou noite — essas partículas reagem com substâncias presentes na atmosfera, podendo reduzir o pH da água da chuva.
De acordo com as condições meteorológicas, como direção dos ventos, formação de nuvens e nível de umidade no ar, os compostos liberados podem retornar à superfície na forma de chuva mais ácida.
Quais são os impactos
A chuva ácida pode provocar diversos efeitos ambientais. Em níveis mais elevados, ela pode danificar a vegetação, alterar a composição química do solo e de corpos d’água e afetar organismos aquáticos.
Esse tipo de precipitação também pode acelerar a corrosão de metais e contribuir para o desgaste de construções, monumentos e outras estruturas urbanas.
Para a população, o principal risco costuma estar na poluição do ar gerada por incêndios e explosões. Embora a chuva ácida geralmente não seja forte o suficiente para causar queimaduras na pele, ela pode transportar partículas e contaminantes que prejudicam a qualidade do ambiente e do ar respirado.



