Petróleo dispara com escalada da guerra e fala de Trump amplia temor nos mercados

Sem aceno de cessar-fogo, declaração do presidente dos EUA impulsiona barril acima de US$ 107 e reforça risco de crise no abastecimento global

Os preços do petróleo voltaram a subir com força nesta quinta-feira (2), em meio ao agravamento das tensões no Oriente Médio e após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que os ataques contra o Irã terão continuidade. A declaração, sem qualquer indicação clara de prazo para o fim das operações militares, aumentou a insegurança nos mercados internacionais e reacendeu o temor de interrupções no fornecimento global de energia.

A reação foi imediata. Os contratos futuros do petróleo Brent avançaram US$ 6,33, alta de 6,3%, e passaram a ser negociados a US$ 107,49 por barril. Já o West Texas Intermediate (WTI) subiu US$ 5,28, ou 5,3%, alcançando US$ 105,40. O movimento reflete a sensibilidade dos investidores diante da possibilidade de uma guerra prolongada em uma das regiões mais estratégicas para a produção e o transporte de petróleo no mundo.

Durante discurso televisionado, Trump afirmou que os Estados Unidos estão próximos de alcançar seus objetivos militares, mas evitou apresentar qualquer plano concreto de encerramento do conflito. “Vamos terminar o trabalho, e vamos terminá-lo muito rápido. Estamos chegando muito perto”, declarou. A fala, longe de tranquilizar o mercado, ampliou a percepção de que ainda não há perspectiva clara de cessar-fogo ou retomada de negociações diplomáticas.

Especialistas avaliam que a ausência de uma saída política imediata aumentou a aversão ao risco. Para a analista sênior Priyanka Sachdeva, da Phillip Nova, o mercado respondeu negativamente justamente pela falta de clareza sobre os próximos passos da Casa Branca. Sem menção direta a trégua ou diálogo, os investidores passaram a precificar um cenário mais prolongado de instabilidade.

A situação se agravou ainda mais após um novo episódio no Golfo Pérsico. Um navio-tanque arrendado à QatarEnergy foi atingido por um míssil de cruzeiro iraniano em águas do Catar, segundo informou o Ministério da Defesa local. O ataque aumentou as preocupações com a segurança das rotas marítimas na região, por onde passa parte significativa do comércio mundial de petróleo.

A escalada militar, segundo analistas, pode empurrar os preços para níveis ainda mais altos nos próximos dias. Caso os confrontos se intensifiquem ou aumentem os riscos à navegação no Golfo, o mercado tende a incorporar novas ameaças ao abastecimento, pressionando ainda mais as cotações internacionais da commodity.

A Agência Internacional de Energia já alertou que eventuais interrupções no fluxo de petróleo começam a provocar efeitos sobre a economia europeia. Até agora, o continente vinha conseguindo amenizar os impactos com estoques contratados antes do início do conflito, mas a prolongação da crise pode mudar esse cenário.

Para o economista-chefe da Rystad Energy, Claudio Galimberti, a instabilidade permanece sendo o principal motor da volatilidade atual. Sem um plano sólido de cessar-fogo ou uma sinalização concreta de descompressão militar, os mercados seguem reagindo a cada nova declaração oficial e a cada novo incidente na região.

Com isso, o petróleo volta ao centro das atenções da economia global, em um momento em que a guerra deixa de ser apenas uma crise geopolítica e passa a ameaçar diretamente os custos de energia, a inflação internacional e o ritmo de crescimento de diversas economias.