Estação começa às 21h05 desta terça-feira (22); previsão aponta excesso de chuva no Sul, temperaturas acima da média em grande parte do país e estiagem prolongada em áreas do Norte e Nordeste.
A primavera de 2026 começa oficialmente nesta terça-feira (22), às 21h05, no horário de Brasília, trazendo um cenário climático que deve exigir atenção em diferentes regiões brasileiras.
A nova estação se estende até 21 de dezembro, e será marcada pela influência de um El Niño em rápida intensificação.
Dados atualizados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), com base nas projeções do Centro de Previsão Climática da NOAA, indicam mais de 90% de probabilidade de o El Niño atingir intensidade muito forte durante a primavera e o verão de 2026/2027.
A atualização de setembro aponta ainda 75% de probabilidade de o episódio figurar entre os mais intensos registrados desde 1950 no trimestre entre outubro e dezembro.
O fenômeno é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial e provoca mudanças importantes na circulação atmosférica.
No Brasil, seus efeitos costumam favorecer mais chuva no Sul e condições mais secas nas regiões Norte e Nordeste, embora a intensidade dos impactos varie ao longo da estação.
Sul deve concentrar volumes elevados de chuva
A Região Sul aparece entre as áreas que mais exigirão acompanhamento durante os próximos meses.
Os modelos climáticos indicam maior probabilidade de precipitações acima da média, especialmente em partes do Rio Grande do Sul e em outros pontos da região.
O cenário aumenta a atenção para episódios de chuva intensa, cheias e inundações.
Além dos volumes acumulados, a primavera normalmente favorece a formação de tempestades acompanhadas de rajadas de vento, descargas elétricas e eventual queda de granizo.
O Inmet destaca, porém, que uma previsão climática sazonal mostra tendências gerais e não permite antecipar exatamente em quais cidades ou datas ocorrerão eventos extremos.
Sudeste terá alternância entre calor e chuva
No Sudeste, a primavera representa normalmente o retorno gradual do período chuvoso.
O aumento da umidade proveniente da Amazônia contribui para a formação de áreas de instabilidade e, ao longo da estação, podem ocorrer os primeiros episódios da Zona de Convergência do Atlântico Sul.
Apesar disso, o comportamento da chuva deverá apresentar diferenças dentro da própria região.
Partes de São Paulo apresentam maior probabilidade de precipitação acima da média, enquanto setores de Minas Gerais e Espírito Santo podem registrar volumes abaixo do normal em determinados períodos.
As temperaturas tendem a permanecer elevadas, criando condições favoráveis para períodos de calor intenso intercalados com tempestades.
Centro-Oeste terá calor forte e risco associado à estiagem
O Centro-Oeste também deve sentir de forma significativa os efeitos da combinação entre temperaturas elevadas e irregularidade das chuvas.
Partes de Mato Grosso, norte de Goiás e outras áreas do Brasil Central apresentam tendência de precipitações abaixo da média.
Já Mato Grosso do Sul está em uma faixa onde há possibilidade de chuva acima do normal em determinados períodos.
A combinação de calor, baixa umidade e vegetação seca pode manter elevado o risco de propagação de incêndios, principalmente caso o estabelecimento regular do período chuvoso demore a ocorrer.
Norte pode enfrentar estiagem mais prolongada
Na Região Norte, o cenário climático aponta maior probabilidade de chuva abaixo da média em extensas áreas.
Estados como Amazonas, Pará, Roraima e Amapá estão entre os pontos acompanhados devido à possibilidade de prolongamento das condições de estiagem.
Na Amazônia Legal, o período entre setembro e novembro normalmente marca a passagem da estação seca para a chuvosa, mas a influência do El Niño pode atrasar essa transição.
Menores volumes de chuva, associados a temperaturas elevadas, podem afetar a disponibilidade hídrica e aumentar a vulnerabilidade da vegetação aos incêndios florestais.
Nordeste deve permanecer mais seco
O Nordeste também aparece entre as regiões com maior probabilidade de chuva abaixo da média nos próximos meses.
A primavera já coincide com um período naturalmente seco em partes do interior nordestino, especialmente em áreas mais ao norte. Com o El Niño, o déficit de precipitação pode se prolongar, enquanto as temperaturas tendem a permanecer acima do padrão histórico em grande parte da região.
Segundo o Inmet, as médias de temperatura durante a primavera normalmente ultrapassam os 28°C em grandes áreas das regiões Norte e Nordeste.
Calor deve ganhar espaço em praticamente todo o Brasil
Além das diferenças na distribuição das chuvas, uma das características mais importantes da primavera de 2026 deverá ser o aumento das temperaturas.
O prognóstico oficial indica tendência de valores acima da média em grande parte do território nacional.
O calor mais persistente aumenta o desconforto térmico, eleva a evaporação da água do solo e pode favorecer a formação rápida de tempestades quando massas de ar quente encontram frentes frias.
Isso não significa que o frio desaparecerá completamente.
Massas de ar frio ainda podem avançar pelo país durante a primavera e provocar quedas temporárias nas temperaturas, principalmente no Centro-Sul.
El Niño deve continuar se fortalecendo
O atual episódio de El Niño foi oficialmente identificado em junho.
Desde então, o fenômeno vem apresentando rápida intensificação.
Em agosto, o índice de temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4 chegou a aproximadamente +1,8°C, enquanto algumas áreas do Pacífico Equatorial registraram anomalias ainda maiores.
As projeções apontam continuidade do fortalecimento até o fim de 2026.
Os órgãos meteorológicos ressaltam que um El Niño muito forte não significa automaticamente que todos os eventos climáticos serão mais extremos.
O fenômeno modifica as probabilidades, mas chuvas intensas, ondas de calor e períodos de seca também dependem da interação com frentes frias, ciclones, massas de ar e outros sistemas atmosféricos.
Por isso, a recomendação é acompanhar os avisos meteorológicos atualizados ao longo da primavera, especialmente em regiões sujeitas a inundações, tempestades, ondas de calor, baixa umidade e incêndios.

Deixe um comentário