Estudo com dados de satélites mostra aceleração do derretimento e impacto direto sobre o nível dos oceanos
MUNDO – Um novo levantamento científico revelou a dimensão da perda de gelo registrada nas duas maiores regiões congeladas do planeta.
Desde 1979, aproximadamente 12,5 trilhões de toneladas de gelo desapareceram da Groenlândia e da Antártida, segundo estudo baseado em décadas de dados obtidos por satélites.
O volume é equivalente a quase 11,3 trilhões de toneladas métricas de gelo transformadas em água.
Segundo os pesquisadores, essa quantidade foi suficiente para elevar o nível médio global dos oceanos em aproximadamente 3,1 centímetros, além de outros fatores que também contribuem para o avanço do mar.
Um dos aspectos mais relevantes do estudo é a origem do derretimento.
Cerca de cinco sextos da perda não estão relacionados diretamente ao aquecimento do ar, mas ao aumento da temperatura dos oceanos.
A água mais quente atinge as partes inferiores e laterais das grandes massas de gelo, acelerando sua fragmentação e o deslocamento dos glaciares em direção ao mar.
Esse processo preocupa pesquisadores porque a elevação do nível dos oceanos pode aumentar riscos para cidades costeiras, ilhas e regiões de baixa altitude.
Inundações mais frequentes, erosão e entrada de água salgada em áreas agrícolas e reservatórios de água doce estão entre os possíveis impactos.
O estudo também mostra a importância do monitoramento por satélite.
Com dados acumulados durante décadas, cientistas conseguem medir pequenas alterações na espessura, no volume e na velocidade de deslocamento das camadas de gelo.
O resultado reforça que as mudanças ocorridas nos polos têm consequências muito além da Groenlândia e da Antártida, atingindo diretamente regiões costeiras em diferentes continentes.









