Rebanho bovino supera a população brasileira, enquanto o número de galináceos chega a cerca de oito aves por habitante; município do Espírito Santo concentra centenas de aves por morador
O Brasil possui um dos maiores rebanhos pecuários do mundo e os números mais recentes da Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM) , do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ajudando a dimensionar o tamanho dessa atividade. O levantamento reúne informações sobre os efetivos dos principais rebanhos e a produção de origem animal em todos os municípios brasileiros.
A comparação com a população chama atenção: o país possui mais de um bovino por habitante e aproximadamente oito galináceos por brasileiro . A distribuição, porém, está longe de ser uniforme. Em municípios especializados na produção agropecuária, a proporção entre animais e moradores pode ser muito maior.
A pecuária está espalhada por todo o país
A PPM é uma pesquisa anual do IBGE e tem como unidade de investigação do município. O levantamento inclui bovinos, suínos, galináceos, galinhas, equinos, ovinos, caprinos e outras espécies, além de produtos como leite, ovos, mel e produção aquícola.
Os dados permitem observar não apenas o tamanho dos rebanhos brasileiros, mas também onde estão técnicas as principais atividades peculiares.
A produção está diretamente relacionada às características econômicas e territoriais de cada região, com municípios que concentram grandes propriedades e sistemas especializados de criação.
Galináceos representam uma grande diferença
A quantidade de aves chama atenção especialmente pela diferença em relação à população.
O termo galináceos utilizado pelo IBGE corresponde ao efetivo total dessa espécie, enquanto a categoria “galinhas” representa especificamente fêmeas adultas. A metodologia da pesquisa passou a utilizar essa classificação a partir das mudanças realizadas no levantamento em 2013.
Por isso, a comparação apresentada na reportagem considera o conjunto de aves contabilizadas pelo instituto, e não apenas galinhas poedeiras.
Santa Maria de Jetibá é um caso fora da curva
Um dos exemplos mais impressionantes aparece em Santa Maria de Jetibá, no Espírito Santo .
O município é conhecido nacionalmente pela forte atividade avícola e aparece entre os principais produtores de galináceos e galinhas do país nos levantamentos do IBGE. Os dados anteriores do PPM já registraram milhões de aves técnicas no município.
A forte presença da avicultura faz com que a relação entre número de aves e população local seja muito diferente da média brasileira.
É justamente essa concentração que explica a comparação de centenas de galinhas por habitante mencionada na reportagem.
Avicultura movimenta a economia local
A criação de aves em Santa Maria de Jetibá está ligada principalmente à produção comercial de ovos.
A atividade envolve uma cadeia econômica que inclui produtores, fornecedores de ração, equipamentos, transporte, trabalhadores, comércio e distribuição dos produtos.
A concentração da produção também faz com que o município tenha importância que ultrapasse seus limites territoriais, abastecendo consumidores de outras cidades e estados.
O Brasil também é um grande produtor de ovos
A produção de ovos é outra parte importante da atividade peculiar brasileira.
O IBGE acompanha anualmente a quantidade produzida e a distribuição municipal da produção. Além do PPM, a Pesquisa Trimestral de Ovos de Galinha acompanha estabelecimentos especializados e fornece dados conjunturais sobre o setor.
Essa combinação de pesquisas permite acompanhar tanto a dimensão estrutural da avicultura quanto as mudanças mais recentes na produção.
E o gado?
O rebanho bovino também apresenta números expressivos.
A quantidade de bovinos supera a população brasileira, fazendo com que a média nacional seja superior a um animal por habitante .
Mas, assim como ocorre com as aves, essa média não significa que cada brasileiro esteja próximo de um bovino. O rebanho está concentrado principalmente em municípios com forte atividade peculiar.
Os estados das regiões Centro-Oeste, Norte e Sudeste possuem importantes áreas de criação de gado, enquanto municípios especializados podem apresentar uma relação muito maior entre animais e moradores.
Diferenças regionais são enormes
A distribuição da moeda brasileira é marcada por grandes diferenças.
Em alguns municípios, a população humana é muito maior que o número de animais. Em outros, ocorre exatamente o contrário: a quantidade de animais pode superar a população em bolsas ou até centenas de vezes.
Esse contraste aparece especialmente em localidades dedicadas a atividades específicas, como produção de ovos, criação de aves de corte e pecuária bovina.
O PPM permite visualizar essas diferenças em escala municipal.
Pecuária vai além da carne
Os números também mostram que a atividade peculiar brasileira não se resume à produção de carne.
O levantamento do IBGE inclui leite, ovos, mel, lã, casulos de bicho-da-seda e produtos de aquicultura , além de diferentes rebanhos.
Isso faz do PPM uma fonte importante para acompanhar a dimensão econômica e produtiva do setor agropecuário.
Um retrato da força do agronegócio
Os dados ajudam a explicar por que a pecuária ocupa uma posição relevante na economia brasileira.
Milhões de animais distribuídos pelo território nacional abastecem cadeias produtivas que envolvem energia, indústria, comércio, transporte e exportações.
Ao mesmo tempo, os números revelam realidades bastante diferentes entre os municípios.
Enquanto a mídia nacional aponta para mais de um bovino e quase oito galináceos por brasileiro, municípios especializados na produção agropecuária apresentam ocorrências muito maiores. Santa Maria de Jetibá é um dos exemplos mais marcantes, com uma concentração de aves que transformou a avicultura em uma das principais características econômicas da cidade.

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