Jovem de 22 anos foi encontrada morta no pátio de um prédio na Aldeota; perícia apontou lesões compatíveis com impacto contra o solo, enquanto Polícia Civil analisa câmeras, celulares e depoimentos para esclarecer a dinâmica da morte
A morte da estudante de Direito Isabelle Caracristi, de 22 anos, continua sob investigação da Polícia Civil do Ceará e ganhou repercussão nacional após familiares cobrarem esclarecimentos sobre o que aconteceu na noite de 13 de setembro de 2026, em um condomínio localizado no bairro Aldeota, em Fortaleza. Isabelle foi encontrada morta na área externa do edifício onde vivia com o namorado e familiares dele.
De acordo com a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará, o óbito ocorreu por volta das 20h40. A Perícia Forense do Estado do Ceará identificou lesões compatíveis com impacto contra o solo, mas a dinâmica da queda ainda não foi oficialmente esclarecida. Isso significa que, até o momento, as autoridades não concluíram publicamente se a queda foi acidental, provocada por outra pessoa ou se ocorreu em outra circunstância.
A investigação ganhou ainda mais atenção depois que a mãe de Isabelle, a professora universitária Isorlanda Caracristi, publicou um relato nas redes sociais pedindo respostas sobre a morte da filha. Segundo ela, a família não recebeu aviso imediato sobre o falecimento e só soube do ocorrido no dia seguinte, quando foi até o condomínio após não conseguir contato com Isabelle.
Isorlanda afirmou que percebeu uma mudança no comportamento da filha após o início do relacionamento. Segundo seu relato, Isabelle teria começado a namorar um homem de 33 anos que conheceu durante um estágio em um escritório de advocacia. A mãe descreveu comportamentos que considerava controladores e obsessivos, mas essas declarações fazem parte do relato familiar e ainda não constituem uma conclusão da investigação policial.
Horas antes da morte, Isabelle teria enviado uma mensagem à mãe dizendo que a amava. Segundo o relato divulgado pela família, o contato ocorreu por volta das 19h, aproximadamente uma hora e quarenta minutos antes do horário estimado da morte. Depois dessa mensagem, a mãe afirmou não ter conseguido mais falar com a filha.
Outro elemento importante está nas câmeras de segurança do condomínio. Segundo informações publicadas nesta segunda-feira (21), imagens mostram Isabelle circulando sozinha por áreas do prédio e seguindo em direção ao rooftop. As gravações também registraram o namorado e a mãe dele deixando o local antes do horário estimado da morte, mas a sequência completa dos acontecimentos continua sob análise da Polícia Civil.
A polícia também tenta localizar o namorado da estudante, João Munhoz Neto. A Secretaria da Segurança Pública não informou que ele seja formalmente considerado suspeito, mas confirmou que equipes realizaram buscas para encontrá-lo. Durante uma operação, a mãe dele foi localizada na praia do Cumbuco, em Caucaia, e um celular e um tablet foram apreendidos para perícia.
Os investigadores também analisam o celular de Isabelle e outros materiais que possam ajudar a reconstruir seus últimos momentos. Testemunhas já foram ouvidas e novas oitivas estão previstas, enquanto imagens do condomínio e dados digitais são examinados pelas autoridades.
Os exames toxicológicos feitos no corpo da estudante tiveram resultado negativo para substâncias de interesse, segundo informações divulgadas pela perícia. O laudo apontou politraumatismo compatível com impacto contra o chão, mas ainda não apresentou publicamente uma conclusão sobre como a queda aconteceu.
Um novo dado veio à tona neste domingo (21): segundo o irmão de Isabelle, a família teria sido informada, a partir de exames e da análise do celular, de que a estudante estava grávida. Essa informação foi relatada pela família à imprensa e passou a integrar o contexto investigado pelas autoridades.
A repercussão do caso também levou a Ordem dos Advogados do Brasil no Ceará (OAB-CE) a divulgar manifestação de solidariedade à família e a defender uma investigação rigorosa, inclusive com perspectiva de gênero.
Nas redes sociais, circularam versões afirmando que Isabelle teria sido “jogada da janela”. Até agora, porém, essa afirmação não foi confirmada pela Polícia Civil nem pela perícia. O que está oficialmente estabelecido é que ela morreu após um impacto contra o solo e que a origem e a dinâmica da queda continuam sob investigação.
A principal tarefa dos investigadores agora é reconstruir os minutos que antecederam a morte de Isabelle, cruzando imagens de câmeras, informações dos aparelhos eletrônicos, depoimentos e resultados periciais. Enquanto isso, a família segue cobrando respostas sobre o que aconteceu dentro do condomínio naquela noite.
Até que a investigação seja concluída, não há confirmação oficial sobre autoria ou responsabilidade de terceiros. O caso permanece aberto e sob apuração da Polícia Civil do Ceará.

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