Categoria: Mundo

  • Reino Unido recua de regra obrigatória para empresas divulgarem riscos climáticos

    Reino Unido recua de regra obrigatória para empresas divulgarem riscos climáticos

    Companhias continuarão podendo explicar por que não cumprem determinados padrões de transparência ambiental

    LONDRES – A autoridade responsável pela regulação do mercado financeiro do Reino Unido decidiu abandonar uma proposta que obrigaria empresas listadas em bolsa a seguir novos padrões de divulgação sobre riscos climáticos.

    A Financial Conduct Authority, conhecida como FCA, informou nesta quarta-feira, 30, que continuará utilizando o modelo chamado “cumprir ou explicar”. 

    Nesse sistema, as empresas devem divulgar determinadas informações ou explicar publicamente por que não seguiram as recomendações.

    A proposta anterior previa regras mais rígidas sobre riscos financeiros relacionados ao clima, metas ambientais e possíveis efeitos das mudanças climáticas sobre as operações das empresas.

    Segundo o órgão regulador, empresas demonstraram preocupação com os custos de implementação e com possíveis impactos sobre a competitividade internacional.

    O tema ganhou importância nos últimos anos devido à pressão de investidores por mais informações sobre sustentabilidade.

    Riscos climáticos podem afetar desde infraestrutura e cadeias de fornecimento até seguros, agricultura e disponibilidade de matérias-primas.

    Dados analisados pela FCA mostraram que 92% das empresas integrantes do índice FTSE 350 cumpriram as regras anteriores de divulgação climática em seus relatórios de 2025. 

    A decisão britânica acontece em um momento em que outras regiões também revisam exigências ambientais aplicadas às empresas.

    O debate internacional está cada vez mais dividido entre ampliar a transparência climática e evitar custos regulatórios considerados excessivos pelas companhias. 

  • China impõe tarifa adicional de 55% sobre carne bovina brasileira após país atingir limite anual

    China impõe tarifa adicional de 55% sobre carne bovina brasileira após país atingir limite anual

    Medida começa a valer em 1º de outubro e pode afetar um dos principais mercados do agronegócio brasileiro

    PEQUIM – A China anunciou que começará a aplicar uma tarifa adicional de 55% sobre determinados embarques de carne bovina do Brasil a partir de 1º de outubro.

    A medida foi acionada após o Brasil atingir sua cota anual de exportações de 1,1 milhão de toneladas destinada ao mercado chinês. 

    A tarifa adicional será somada à cobrança normal de importação, de aproximadamente 12%.

    Com isso, os embarques que ultrapassarem a cota poderão enfrentar tributação total próxima de 67%.

    A política havia sido anunciada pela China no início do ano como parte de mecanismos destinados a proteger a produção pecuária doméstica.

    O Brasil é atualmente um dos maiores exportadores de carne bovina do mundo e possui na China um de seus principais destinos comerciais.

    Por isso, qualquer mudança nas regras do mercado chinês pode gerar impactos relevantes para frigoríficos, pecuaristas e exportadores brasileiros.

    O setor acompanha agora a possibilidade de revisão das cotas para 2027.

    Até o momento, autoridades chinesas ainda não confirmaram se permitirão que o Brasil utilize cotas não aproveitadas por outros países.

    Segundo estimativas do setor citadas pela Reuters, as exportações brasileiras de carne bovina podem terminar 2026 com redução de aproximadamente 10% em volume, diante de restrições em grandes mercados. 

    A situação tende a aumentar a busca por destinos alternativos na Ásia, no Oriente Médio e em outras regiões.

    O desafio para o setor será manter o volume de exportações sem depender excessivamente de um único comprador internacional.

  • Passageiros ajudam a impedir queda de avião após grave incidente em voo entre Dubai e Tel Aviv

    Passageiros ajudam a impedir queda de avião após grave incidente em voo entre Dubai e Tel Aviv

    Aeronave perdeu milhares de metros de altitude antes de controle ser recuperado e pouso emergencial ser realizado na Arábia Saudita

    ORIENTE MÉDIO – Um voo da companhia flydubai viveu momentos de tensão nesta quarta-feira, 30, após um incidente envolvendo integrantes da tripulação durante uma viagem entre Dubai e Tel Aviv.

    Segundo autoridades israelenses, o copiloto teria atacado o piloto dentro da cabine e provocado uma rápida perda de altitude.

    O avião chegou a descer aproximadamente 14 mil pés em menos de 30 segundos, antes que a situação fosse controlada. 

    Passageiros e integrantes da tripulação conseguiram entrar na cabine e dominar o copiloto.

    Dois outros pilotos da flydubai que estavam a bordo assumiram os controles e conduziram o avião até um pouso seguro no aeroporto de Tabuk, na Arábia Saudita. 

    As autoridades afirmaram que o motivo do incidente continua sob investigação.

    A própria companhia aérea pediu cautela e afirmou que ainda não é possível determinar as causas do episódio.

    Os passageiros seguiram posteriormente para Israel em outra aeronave e chegaram ao Aeroporto Ben Gurion mais de dez horas depois.

    Um passageiro de 51 anos precisou receber atendimento médico devido a ferimentos considerados leves.

    O episódio levou autoridades israelenses a determinar um reforço na verificação de pilotos que realizam voos para o país.

    Apesar da gravidade da ocorrência, não houve registro de mortes, e a aeronave conseguiu pousar com segurança

  • Anthropic prepara uma das maiores aberturas de capital da história em meio ao crescimento da inteligência artificial

    Anthropic prepara uma das maiores aberturas de capital da história em meio ao crescimento da inteligência artificial

    Empresa responsável pelo Claude apresenta documento que dedica grande espaço aos próprios riscos da tecnologia

    ESTADOS UNIDOS – A Anthropic, uma das principais empresas de inteligência artificial do mundo, prepara uma abertura de capital que poderá se tornar uma das maiores já realizadas.

    A companhia, conhecida principalmente pelo sistema Claude, apresentou documentos relacionados a uma possível oferta pública inicial de ações, conhecida como IPO.

    Segundo informações analisadas pela Reuters, a empresa busca uma avaliação próxima de US$ 2 trilhões.

    Um dos aspectos que mais chamaram a atenção no documento é a quantidade de espaço dedicada aos riscos associados à inteligência artificial.

    Quase um terço do prospecto de aproximadamente 300 páginas trata de fatores de risco, proporção superior ao espaço reservado para explicar as próprias atividades comerciais da empresa. 

    Entre as preocupações apresentadas estão sistemas avançados capazes de resistir a tentativas de desligamento, manipular informações ou serem utilizados de maneira inadequada.

    A Anthropic defende que o desenvolvimento de sistemas de IA mais poderosos também pode ser necessário para melhorar a segurança de tecnologias futuras.

    Essa posição reflete uma das grandes contradições do setor: as empresas investem bilhões para aumentar a capacidade dos modelos enquanto, simultaneamente, alertam para os riscos que esses mesmos sistemas podem produzir.

    A corrida envolve empresas como OpenAI, Google, Meta e outras gigantes de tecnologia.

    Data centers, chips especializados e energia elétrica tornaram-se elementos estratégicos para o desenvolvimento dos novos modelos.

    Caso a abertura de capital avance nos valores apresentados, ela poderá transformar a Anthropic em uma das empresas de tecnologia mais valiosas do mercado público.

  • Micro e pequenas empresas ganham novo prazo para escolher o Simples Nacional em 2027

    Micro e pequenas empresas ganham novo prazo para escolher o Simples Nacional em 2027

    Prazo foi prorrogado até 15 de outubro e mudanças fazem parte da adaptação à reforma tributária

    BRASÍLIA – Micro e pequenos empresários ganharam mais tempo para decidir se querem ingressar no Simples Nacional a partir de janeiro de 2027.

    O Comitê Gestor do Simples Nacional prorrogou o prazo para solicitação até 15 de outubro de 2026.

    A regra vale para empresas que ainda não fazem parte do regime simplificado e pretendem utilizá-lo no próximo ano. 

    O Simples Nacional atende empresas com faturamento anual de até R$ 4,8 milhões e reúne diferentes tributos em um sistema simplificado de recolhimento.

    As mudanças estão relacionadas à implantação gradual da reforma tributária.

    Entre os principais pontos está a entrada do Imposto sobre Bens e Serviços, o IBS, e da Contribuição sobre Bens e Serviços, a CBS, na nova estrutura tributária.

    Empresas que desejarem permanecer no Simples, mas recolher IBS e CBS pelo regime regular, terão até 30 de outubro para formalizar a escolha referente ao primeiro semestre de 2027. 

    Já problemas fiscais que impeçam a entrada no Simples poderão ser regularizados dentro do prazo estabelecido.

    A mudança também altera procedimentos de emissão de nota fiscal e apresentação de informações fiscais.

    A obrigatoriedade da Nota Fiscal de Serviço eletrônica pelo emissor nacional para empresas do Simples, por exemplo, foi adiada para 1º de novembro de 2026. Escolha exige atenção

    Especialistas em contabilidade costumam destacar que a decisão não depende apenas da alíquota.

    O perfil dos clientes, os fornecedores, a possibilidade de utilização de créditos tributários e o impacto sobre preços e fluxo de caixa podem influenciar diretamente a escolha.

    Para empresas que vendem principalmente para outras empresas, as mudanças trazidas pelo IBS e pela CBS podem ter impacto ainda maior na estratégia tributária.

  • Novas regras do seguro rural passam a valer e ampliam proteção para produtores brasileiros

    Novas regras do seguro rural passam a valer e ampliam proteção para produtores brasileiros

    Legislação estabelece prazos para indenizações, integra seguro ao crédito rural e prevê mais transparência nas operações

    BRASÍLIA – Produtores rurais brasileiros passaram a contar, a partir desta quarta-feira, 30 de setembro, com novas regras para contratação, regulação e pagamento de indenizações do seguro rural.

    A mudança foi estabelecida pela Lei nº 15.526, publicada no Diário Oficial da União, e reorganiza mecanismos considerados importantes para a proteção financeira do setor agrícola.

    Entre os principais pontos está a definição de prazos mais claros para a análise dos sinistros. Nos casos em que não houver necessidade de vistoria presencial, a regulação deverá ser concluída em até 15 dias depois que o produtor comunicar o problema.

    Já o pagamento da indenização deverá ocorrer em até 30 dias após a entrega da documentação exigida ou a realização da vistoria técnica, dependendo do caso. 

    A medida pretende dar maior previsibilidade aos produtores que sofrem perdas provocadas por fenômenos como seca, excesso de chuva, granizo, geadas e outros eventos que podem comprometer a produção.

    Outro ponto importante é a integração do seguro rural às operações de crédito.

    As instituições financeiras poderão exigir cláusulas permitindo que os direitos da apólice sejam utilizados como garantia de financiamentos. Em determinadas situações, a indenização poderá ser direcionada prioritariamente ao agente financeiro responsável pelo crédito. 

    A lei também estabelece incentivos para produtores que contratarem seguro rural, incluindo condições mais favoráveis de financiamento, prioridade na obtenção de crédito e possibilidade de acesso preferencial à renegociação de dívidas.

    Além disso, os recursos federais destinados à subvenção do prêmio do seguro rural passam a seguir regras específicas dentro do orçamento público.

    Mais transparência

    A nova legislação ainda prevê a criação de bancos de dados públicos na internet com informações relacionadas às operações de seguro rural.

    Também deverá ser disponibilizado um manual com regras sobre a subvenção federal.

    A medida é particularmente importante para um país em que a agricultura está constantemente exposta às mudanças climáticas e às variações do mercado.

    O objetivo é diminuir parte da insegurança financeira enfrentada pelos produtores quando uma safra é comprometida por fatores fora de seu controle

  • Petróleo acima de US$ 100 acende alerta para combustíveis, inflação e custo do transporte mundial

    Petróleo acima de US$ 100 acende alerta para combustíveis, inflação e custo do transporte mundial

    Brent fecha setembro com forte valorização em meio às tensões no Oriente Médio e à redução de estoques de combustíveis

    MUNDO – O mercado mundial de petróleo encerra setembro sob forte pressão, com o barril do Brent — principal referência internacional — negociado acima dos US$ 100.

    Nesta quarta-feira, 30, o Brent para novembro fechou em cerca de US$ 103,50 por barril, após uma sequência de altas impulsionada por tensões geopolíticas e preocupação com a oferta de combustíveis. No acumulado de setembro, a alta ficou próxima de 14%.

    O movimento preocupa governos e empresas porque o preço do petróleo afeta praticamente toda a cadeia produtiva.

    Gasolina, diesel, querosene de aviação, fertilizantes, transporte rodoviário e diversos produtos industriais dependem direta ou indiretamente da commodity.

    Entre os fatores que sustentam os preços estão as dificuldades nas negociações envolvendo Estados Unidos e Irã, além da queda nos estoques americanos de gasolina e derivados.

    Mesmo com aumento nos estoques de petróleo bruto, a disponibilidade menor de combustíveis refinados mantém pressão sobre os preços.

    Efeito pode chegar ao consumidor

    O petróleo negociado internacionalmente não determina sozinho os preços dos combustíveis em cada país.

    Impostos, câmbio, custos de refino, distribuição e políticas de preços também possuem influência.

    Ainda assim, uma alta prolongada pode aumentar os custos enfrentados por refinarias e distribuidoras.

    O diesel é especialmente importante para países dependentes do transporte rodoviário, como Brasil e Paraguai.

    Quando seu preço sobe, o impacto pode atingir fretes e, posteriormente, produtos vendidos em supermercados, lojas e indústrias.

    O petróleo mais caro também preocupa os bancos centrais.

    Se energia e transporte começarem a pressionar a inflação, autoridades monetárias podem enfrentar maior dificuldade para reduzir juros.

    O cenário internacional permanece incerto, e novas mudanças nas negociações diplomáticas ou na produção dos países exportadores podem provocar fortes oscilações.

    Por enquanto, setembro termina com o petróleo entre os principais fatores de preocupação para a economia mundial no início do último trimestre de 2026.

  • Inteligência artificial volta ao centro do debate após pesquisadores alertarem para riscos de sistemas que aprendem sozinhos

    Inteligência artificial volta ao centro do debate após pesquisadores alertarem para riscos de sistemas que aprendem sozinhos

    Cientistas dizem que corrida entre empresas pode acelerar desenvolvimento de tecnologias mais autônomas sem controles suficientes

    MUNDO – O desenvolvimento acelerado da inteligência artificial voltou ao centro das discussões internacionais após pesquisadores ligados a grandes laboratórios de tecnologia alertarem para os riscos da criação de sistemas capazes de aperfeiçoar suas próprias capacidades.

    Pesquisadores atuais e antigos de organizações como OpenAI e Google DeepMind manifestaram preocupação com o ritmo em que empresas desenvolvem sistemas cada vez mais autônomos. 

    Um dos principais pontos de discussão é a chamada autoaperfeiçoamento recursivo, situação em que uma inteligência artificial poderia ajudar a desenvolver versões progressivamente mais capazes de si mesma.

    Na prática, sistemas de IA já são utilizados para escrever códigos, analisar informações, executar tarefas digitais e auxiliar pesquisadores.

    A preocupação surge quando essas ferramentas recebem autonomia suficiente para modificar processos complexos sem supervisão humana constante.

    Especialistas ouvidos em discussões sobre segurança de IA afirmam que empresas enfrentam uma corrida competitiva para desenvolver modelos mais poderosos.

    Essa disputa envolve gigantes do setor tecnológico e também governos que consideram a inteligência artificial estratégica para a economia e para a segurança nacional.

    Empresas anunciam compromissos

    Nos Estados Unidos, empresas de tecnologia também assinaram um acordo voluntário voltado à segurança de sistemas de inteligência artificial.

    Entre os compromissos estão medidas para impedir que agentes de IA realizem acessos ou ações não autorizadas em sistemas digitais. 

    A discussão se tornou ainda mais importante com a expansão dos chamados agentes autônomos, programas capazes de executar diversas tarefas praticamente sem intervenção constante do usuário.

    Esses sistemas podem organizar projetos, utilizar softwares, buscar informações e executar sequências de ações.

    Ao mesmo tempo, especialistas defendem mecanismos de auditoria, testes de segurança e maior transparência sobre o funcionamento dessas ferramentas.

    O debate deixou de ser apenas sobre o que a inteligência artificial consegue fazer e passou a incluir uma pergunta mais delicada: até onde esses sistemas devem ter liberdade para agir sozinhos?

  • Contas públicas registram déficit de R$ 10 bilhões em agosto, aponta Banco Central

    Contas públicas registram déficit de R$ 10 bilhões em agosto, aponta Banco Central

    Resultado ainda é negativo, mas apresenta melhora em relação ao mesmo período do ano passado

    BRASÍLIA – As contas do setor público brasileiro registraram déficit primário de R$ 10 bilhões em agosto de 2026, segundo dados divulgados nesta quarta-feira, 30, pelo Banco Central.

    O resultado considera as contas da União, estados, municípios e empresas estatais, mas não inclui as despesas relacionadas aos juros da dívida pública. 

    Apesar do valor negativo, houve melhora quando comparado ao mesmo mês do ano passado.

    Em agosto de 2025, o déficit havia alcançado aproximadamente R$ 17,3 bilhões.

    Isso representa uma redução superior a R$ 7 bilhões na diferença entre receitas e despesas.

    O Governo Central, formado principalmente pelo Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central, apresentou déficit de R$ 14,7 bilhões.

    Por outro lado, estados e municípios tiveram resultado positivo.

    Os governos regionais registraram superávit de aproximadamente R$ 2,7 bilhões, enquanto empresas estatais apresentaram resultado positivo próximo de R$ 2 bilhões. 

    Por que o resultado importa?

    O resultado primário é um dos principais indicadores utilizados para medir a situação fiscal de um país.

    Quando o governo arrecada mais do que gasta, sem considerar juros, existe superávit.

    Quando as despesas ultrapassam as receitas, ocorre déficit.

    Déficits recorrentes podem aumentar a necessidade de financiamento do governo, elevando a dívida pública ao longo do tempo.

    Por isso, investidores, economistas e instituições financeiras acompanham atentamente esses números.

    A situação fiscal também influencia discussões relacionadas a juros, investimentos públicos e capacidade do governo de financiar programas e obras.

    Mesmo com a melhora registrada em agosto, o equilíbrio das contas públicas permanece como um dos principais desafios econômicos do país.

    O desempenho dos próximos meses deverá mostrar se a redução observada em agosto representa uma tendência ou apenas uma oscilação pontual.

    O dado divulgado pelo Banco Central mostra, portanto, uma melhora na comparação anual, mas o setor público ainda gastou mais do que arrecadou no período analisado. 

  • Denúncias de antissemitismo ameaçam estratégia de moderação de Marine Le Pen na França

    Denúncias de antissemitismo ameaçam estratégia de moderação de Marine Le Pen na França

    Acusações contra Jordan Bardella, presidente da Reunião Nacional e aliado político de Le Pen, impõem novamente sob pressão o esforço do partido para se afastar de sua imagem histórica

    A estratégia de Marine Le Pen de modificar a imagem pública da Reunião Nacional (RN) enfrentou uma nova crise após uma investigação do site francês Mediapart mencionar Jordan Bardella , atual presidente da legenda, mensagens de teor antissemita escritas entre 2013 e 2015, quando ele ainda era jovem militante da então Frente Nacional.

    Bardella nega categoricamente a autoria das mensagens e afirma que os documentos são falsificações. Ele também anunciou uma ação judicial por difamação contra o Mediapart . Le Pen saiu em defesa do aliado e classificou as acusações como uma tentativa de desestabilizar o partido. 

    O que é uma estratégia de “desdiabolização”

    Desde que assumiu a liderança do partido em 2011, Marine Le Pen promoveu mudanças na comunicação e na imagem pública da antiga Frente Nacional, fundada por seu pai, Jean-Marie Le Pen .

    O processo é frequentemente chamado na França de “desdiabolização” e envolve, entre outras mudanças, o afastamento de declarações e figuras associadas ao histórico mais radical da legenda.

    Em 2018, o partido mudou oficialmente seu nome de Frente Nacional para Reunião Nacional , em uma das etapas dessa transformação de imagem.

    A estratégia também incluiu uma preocupação principal com a seleção de candidatos e declarações públicas relacionadas ao racismo e ao antissemitismo. 

    Acusações envolvendo mensagens antigas

    Segundo a investigação publicada pelo Mediapart , Bardella teria enviado mensagens privadas entre 2013 e 2015 contendo teorias conspiratórias e afirmações de caráter antissemita.

    O veículo afirma ter apresentado amostras de conversas e cruzado o material com depoimentos de pessoas que tiveram contato com o político naquele período. O Mediapart diz ter autenticado independentemente dos documentos apresentados na reportagem. 

    Bardella rejeitou as acusações e afirma que nunca fez os comentários atribuídos a ele, classificando o material como “falsificações grosseiras”. Ele também questionou a forma como as mensagens foram obtidas e recebidas uma reclamação por difusão. 

    Le Pen mantém apoio ao aliado

    Marine Le Pen defendeu Bardella publicamente após a publicação da investigação.

    A candidata do RN afirmou que não acredita na esperança das mensagens e declarou a denúncia como uma tentativa de prejudicar politicamente o partido.

    A posição de Le Pen contrastou com declarações de representantes do governo francês e de organizações judaicas, que afirmaram que as alterações dos documentos deveriam ser esclarecidas e que, casos confirmados, as declarações seriam incompatíveis com a imagem que o RN procura apresentar atualmente. 

    Bardella é uma figura central no projeto político de Le Pen

    A controvérsia ganhou dimensão maior porque Bardella ocupa uma posição central na estratégia política de Le Pen.

    Ele é presidente do RN e foi apresentado por Le Pen como seu possível primeiro-ministro caso ela seja eleita presidente da França em 2027.

    Por isso, as acusações não afetam apenas a trajetória pessoal de Bardella, mas também a imagem construída pelo partido nos últimos anos.

    Histórico do partido volta ao centro da discussão

    O episódio também reandeu discutindo sobre a relação do RN com seu passado.

    Jean-Marie Le Pen, fundador da Frente Nacional e pai de Marinha, foi condenado diversas vezes por declarações racistas ou antissemitas e chegou a provocar grande controvérsia ao minimizar a dimensão das câmaras de gás nazistas.

    Marine Le Pen conseguiu se distanciar desse legado ao longo de sua liderança, inclusive expulsando o próprio pai do partido em 2015. A transformação da imagem da legenda passou a ser uma das características mais importantes de sua estratégia política. 

    Partido havia adotado postura mais rígida

    O RN também mostra demonstrando maior controle sobre declarações feitas por seus integrantes.

    Durante as eleições legislativas de 2024, por exemplo, Bardella afirmou que os candidatos envolvidos em comentários racistas ou antissemitas deveriam ser tratados como abordagens e que a seleção de candidatos deveria ser mais rigorosa. 

    As propostas atuais colocam essa política novamente em discussão porque envolvem justamente o presidente nacional da legenda.

    Reações na França

    A denúncia gerou reações de diversos setores políticos.

    O ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot , afirmou que o episódio deveria ser analisado no contexto da história do RN. Já membros de organizações judaicas destacaram que, caso as mensagens sejam autênticas, elas entrariam em contradição com a tentativa do partido de se apresentar como defensor da comunidade judaica francesa. 

    Bardella, por sua vez, afirma que está sendo alvo de uma tentativa de desestabilização política e decidiu recorrer à Justiça contra o Mediapart . 

    Debate acontece antes da eleição presidencial

    A controvérsia surgiu meses antes das eleições presidenciais francesas de 2027 .

    Por isso, o episódio passou a ser acompanhado não apenas como uma disputa sobre declarações atribuídas a Bardella, mas também como um teste para a estratégia de transformação da imagem do RN.

    A transmissão das mensagens permanece contestada por Bardella , enquanto o Mediapart sustenta a purificação e afirma ter autenticado os documentos. 

    O caso recoloca no centro do debate francês a tentativa da Reunião Nacional de se afastar de seu passado e apresentar uma imagem mais moderada. As acusações contra Jordan Bardella, entretanto, ainda estão sob contestação judicial e política, e a confirmação definitiva da autoria das mensagens dependerá dos desdobramentos do caso.