Pesquisa aponta envelhecimento dos profissionais e aumento das contratações temporárias na rede pública
O número de professores do ensino médio com até 24 anos caiu 31,1% entre 2015 e 2025, segundo pesquisa divulgada pelo Instituto Semesp. No mesmo período, a quantidade de docentes com 60 anos ou mais aumentou 104,5%.
Em números absolutos, o contingente de professores jovens recuou de 17,3 mil para 11,9 mil. Já o grupo formado por profissionais com 60 anos ou mais passou de 18,2 mil para 37,3 mil.
Os dados indicam uma dificuldade crescente para renovar o quadro docente. Se o movimento continuar, o país poderá enfrentar falta de profissionais em determinadas disciplinas à medida que os professores mais experientes se aposentarem.
As menores taxas de renovação foram encontradas em Geografia, História, Língua Portuguesa, Sociologia, Filosofia e Artes. Essas áreas podem sofrer impactos mais intensos caso não haja aumento na procura pelas licenciaturas.
A pesquisa também identificou crescimento das contratações temporárias. O número passou de 146 mil para 205 mil em dez anos, avanço de 40,4%. Ao mesmo tempo, o total de docentes concursados, efetivos ou estáveis caiu de aproximadamente 305 mil para 255 mil.
Especialistas relacionam a baixa procura pela carreira a salários pouco atrativos, sobrecarga de trabalho, violência no ambiente escolar e falta de estabilidade. A valorização profissional é apontada como uma das principais medidas para reverter o cenário.
O desafio não consiste apenas em formar novos professores, mas em criar condições para que permaneçam nas escolas. Sem políticas de longo prazo, a reposição dos profissionais poderá se tornar ainda mais difícil nas próximas décadas.

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