“Patria potestad”: regra argentina pode impactar renovação da seleção

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A AFA decidiu não convocar para as voluntárias de jogadores de base que deixem clubes argentinos pelo mecanismo de responsabilidade parental antes de decidir o primeiro contrato profissional

A Associação de Futebol Argentino (AFA)desenvolveu uma regra que pode influenciar a formação das próximas gerações da seleção argentina. 

A entidade decidiu não convocar para as voluntárias de jogadores de base que deixem seus clubes no país e antes para o exterior utilizando o mecanismo conhecido como “patria potestad” , antes de discutirem o primeiro contrato profissional.

O que significa “patria potestad”?

O termo, equivalente à ideia de responsabilidade parental , está relacionado aos direitos e deveres dos pais ou responsáveis ​​sobre filhos menores de idade.

No futebol, o mecanismo pode ser utilizado em determinadas situações para permitir que um jogador menor saia da Argentina e siga sua formação em outro país antes de adquirir um contrato profissional com seu clube formador. 

A possibilidade está relacionada às regras da Fifa para transferências internacionais de menores. 

AFA criou uma restrição para as seleções de base

A nova política estabelece que os jogadores que utilizem esse mecanismo para deixar clubes argentinos antes de assinar o primeiro contrato profissional não sejam convocados para os juvenis argentinos seletivos .

A medida foi discutida e aprovada no âmbito da estrutura do futebol profissional argentino e ganhou força após casos recentes de jovens talentos que deixaram clubes do país. 

Caso Luca Scarlato ganhou destaque

Um dos casos que envolveram a discussão foi o de Luca Scarlato , jovem formado pelo River Plate que deixou o clube argentino para seguir carreira no Parma, da Itália.

O jogador saiu antes de adquirir o contrato profissional com a River, utilizando o mecanismo de responsabilidade parental.

 O episódio foi discutido entre clubes, representantes e entidades do futebol argentino sobre os direitos dos clubes formadores.

Clubes querem proteger seus investimentos

Os clubes argentinos argumentam que investem durante anos na formação dos jogadores e podem perder essas atletas justamente quando atingem maior valor esportivo e econômico.

Quando a saída ocorrer antes da assinatura de um contrato profissional, a compensação financeira imediata ao clube formador poderá ser diferente de uma transferência convencional. 

Existem, entretanto, mecanismos de solidariedade e direitos de formação previstos pelas regras da Fifa. Vozbr

Regra também gera debate jurídico

A decisão da AFA provocou a discussão sobre os limites da entidade para estabelecer critérios de convocação.

Especialistas em direito esportivo ouvidos pela imprensa argentina apresentam interpretações diferentes sobre a medida. 

Embora alguns entendam que a AFA pode definir critérios para suas escolhas, outros apontam possíveis questionamentos judiciais caso a regra sejam utilizados para pressionar jogadores ou famílias. 

Messi aparece como exemplo histórico

O tema também ganhou repercussão porque Lionel Messi apresentou uma situação de responsabilidade parental para deixar a Argentina ainda jovem e seguir sua formação no Barcelona .

O contexto da saída de Messi, porém, foi diferente dos casos que motivaram a política atual da AFA. Ele deixou o Newell’s Old Boys aos 13 anos e passou a integrar as categorias de base do clube espanhol. 

Impacto na renovação da seleção

A discussão ocorre justamente em um momento de renovação da seleção argentina, após o encerramento da trajetória de Lionel Messi pela equipe nacional.

Uma nova regra pode influenciar a formação das categorias de base jovens caso talentos argentinos optem por deixar o país antes de revisar seus primeiros contratos profissionais.

A medida coloca em lados diferentes três interesses: a proteção dos clubes formadores, a liberdade das famílias para decidir sobre a carreira de menores e o planejamento das seleções argentinas para as próximas gerações.

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