Países criam grupo específico para discutir comércio bilateral enquanto representantes se encontram durante agenda do G20 nos Estados Unidos
BRASÍLIA – Brasil e Estados Unidos deram um novo passo nas negociações comerciais nesta quarta-feira, 30 de setembro, com a criação de um grupo específico para tratar das tarifas impostas a produtos brasileiros e de outros pontos de divergência entre os dois países.
As conversas fazem parte de uma tentativa de reduzir o impacto das medidas comerciais adotadas nos últimos meses e construir uma solução negociada entre Brasília e Washington.
Representantes brasileiros e norte-americanos já vinham trocando documentos e preparando novas rodadas de negociação. Um dos principais encontros ocorre durante compromissos relacionados ao G20, em Milwaukee, nos Estados Unidos, onde integrantes dos dois governos voltaram a discutir o assunto.
O governo brasileiro busca principalmente rever tarifas adicionais aplicadas pelos Estados Unidos sobre parte das exportações do país. Em julho, Washington havia aplicado tarifa de 25% sobre determinados produtos brasileiros, levando o Brasil a intensificar o diálogo diplomático e comercial.
A retomada das negociações ganhou força depois de contatos diretos entre os governos dos dois países. Nos últimos meses, autoridades brasileiras defenderam que as tarifas prejudicam empresas exportadoras e podem provocar aumento de custos para compradores norte-americanos.
A criação de um grupo específico indica que as tratativas devem se tornar mais técnicas, envolvendo representantes responsáveis por comércio exterior, indústria e relações internacionais.
Entre os setores brasileiros que acompanham de perto as negociações estão segmentos ligados à indústria, agronegócio, mineração e produtos manufaturados, principalmente aqueles que dependem do mercado norte-americano.
Entidades empresariais brasileiras também vêm defendendo uma solução negociada. A Confederação Nacional da Indústria, a Câmara Americana de Comércio e representantes empresariais dos Estados Unidos já manifestaram apoio à preservação da relação comercial entre os dois países. O comércio bilateral movimenta bilhões de dólares todos os anos e envolve desde alimentos e matérias-primas até equipamentos industriais e produtos tecnológicos.
O avanço das negociações não significa que as tarifas serão retiradas imediatamente. As equipes ainda precisam discutir quais produtos poderão receber tratamento diferenciado e quais condições serão exigidas por cada país.
Nos próximos dias, o resultado das reuniões deverá indicar se Brasil e Estados Unidos conseguirão avançar para uma proposta mais concreta de redução das barreiras comerciais.

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