Levantamento divulgado em outubro revela avanço da inadimplência e acende alerta sobre o comprometimento da renda e a situação financeira dos consumidores brasileiros.
BRASÍLIA – O número de brasileiros com contas em atraso voltou a crescer e atingiu 75,05 milhões de consumidores em setembro de 2026, segundo levantamento divulgado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), no dia 20 de outubro.
O resultado representa 44,67% da população adulta brasileira, demonstrando a dimensão do endividamento e as dificuldades enfrentadas por milhões de pessoas para manter seus compromissos financeiros em dia.
De acordo com os dados, o número de consumidores inadimplentes apresentou crescimento de 2,07% entre agosto e setembro, indicando que a recuperação da capacidade de pagamento das famílias continua sendo um desafio para a economia nacional.
Juros elevados pressionam o orçamento das famílias
A combinação entre taxas de juros elevadas, despesas essenciais e acesso a modalidades de crédito mais caras contribui para pressionar o orçamento doméstico.
O cartão de crédito, os empréstimos pessoais e outras formas de financiamento podem representar um risco quando os pagamentos deixam de acompanhar a renda disponível.
O problema se torna ainda mais preocupante quando consumidores recorrem a novos empréstimos para quitar dívidas antigas, criando um ciclo de compromissos financeiros que pode se prolongar por vários meses.
O levantamento também apontou crescimento expressivo nas inclusões de consumidores com dívidas antigas. Entre os registros de inadimplência com duração de quatro a cinco anos, houve aumento de 34,48% na comparação anual.
Consequências para a economia brasileira
A inadimplência elevada não afeta apenas os consumidores. O comércio, as instituições financeiras e diferentes setores produtivos também podem sentir os reflexos da redução da capacidade de pagamento.
Quando uma parcela significativa da população enfrenta restrições financeiras, o consumo tende a ficar mais limitado, afetando o movimento das empresas e as perspectivas de crescimento econômico.
O cenário reforça a importância de iniciativas de renegociação de dívidas, educação financeira e acesso a condições de crédito mais sustentáveis.
Apesar das dificuldades, especialistas destacam que o planejamento financeiro e a priorização de despesas essenciais são medidas importantes para evitar o agravamento do endividamento.

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