Estrela morta pode estar “devorando” planeta que nasceu de suas próprias cinzas

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Astrônomos identificaram um exoplaneta incomum que parece ter surgido a partir do material expelido por uma estrela em seus estágios finais e agora está sendo lentamente consumido por ela

Astrônomos identificaram um sistema planetário extraordinário a cerca de 250 anos-luz da Terra, na constelação de Cetus. No centro está uma anã branca, o remanescente extremamente denso de uma estrela que já encerrou sua fase normal de vida.

Ao redor dela orbita um planeta que chamou a atenção dos pesquisadores por uma característica incomum: ele pode ter se formado a partir do próprio material ejetado pela estrela durante sua morte.

Agora, em uma espécie de ciclo cósmico, a mesma estrela parece estar retirando parte da atmosfera desse planeta, que vem sendo destruída pela intensa radiação emitida pela anã branca.

Planeta foi apelidado de “fênix”

Os pesquisadores passaram a chamar informalmente o objeto de “planeta fênix”, em referência à criatura mitológica que renasce das próprias cinzas.

A comparação ocorre porque o planeta não teria surgido junto com a estrela, como aconteceu com a Terra e os demais planetas do Sistema Solar.

Segundo o estudo, ele seria um planeta de segunda geração, formado posteriormente a partir de parte do material lançado ao espaço quando sua estrela passou pelas fases finais de evolução. 

Órbita dura apenas 4,4 dias

O planeta completa uma volta ao redor da anã branca a cada 4,4 dias.

Ele também está extremamente próximo do remanescente estelar: sua distância corresponde a aproximadamente 4% da separação existente entre a Terra e o Sol.

Essa proximidade expõe o planeta a níveis intensos de radiação ultravioleta.

Como consequência, parte de sua atmosfera está evaporando e sendo atraída pela gravidade da estrela, num processo que os astrônomos conseguiram detectar através da composição química do material. 

Estrela está literalmente absorvendo material do planeta

Anãs brancas são objetos extremamente compactos.

Elas representam uma das fases finais de estrelas semelhantes ao Sol: após consumirem seu combustível nuclear, essas estrelas expandem, expulsam suas camadas externas e deixam para trás um núcleo quente e denso.

A enorme gravidade desses objetos permite que eles atraiam e absorvam matéria de planetas, asteroides e outros corpos próximos.

Observações anteriores do Telescópio Espacial Hubble já haviam mostrado anãs brancas recebendo material proveniente de corpos planetários destruídos. 

No novo sistema, porém, a situação é especialmente curiosa porque o planeta em questão pode ter surgido justamente dos restos da estrela que agora está consumindo sua atmosfera. Composição química revelou origem incomum

Os astrônomos analisaram o material que está caindo sobre a anã branca e identificaram elementos como nióbio, cobre e zinco.

Essa composição chamou atenção porque seria compatível com materiais produzidos e expelidos durante as fases finais da evolução de uma estrela.

Para os pesquisadores, esse é um dos indícios de que o planeta pode ter se formado depois da morte da estrela, utilizando justamente esse material enriquecido. 

Descoberta pode ser primeira confirmação de planeta de segunda geração

Planetas que surgem depois da morte de suas estrelas já eram considerados possíveis pelos modelos teóricos.

Entretanto, encontrar evidências observacionais de um processo desse tipo é extremamente difícil.

Segundo a equipe responsável pela pesquisa, o novo objeto pode representar a primeira confirmação convincente da formação de um planeta ao redor de uma anã branca. 

A descoberta abre uma nova possibilidade para a astronomia: sistemas planetários talvez consigam “renascer” mesmo depois que suas estrelas originais entram em colapso evolutivo.

Telescópios ajudaram a identificar sistema

A pesquisa utilizou observações realizadas por diferentes instrumentos espaciais, incluindo o Telescópio Espacial Hubble, o satélite TESS e dados do observatório ultravioleta FUSE.

O próximo passo deverá envolver o Telescópio Espacial James Webb, que pode ajudar a determinar com maior precisão a composição e a estrutura desse planeta. 

Descoberta pode ajudar a entender o futuro dos sistemas planetários

O estudo não trata apenas de um planeta distante.

Ele também ajuda os cientistas a compreender o que pode acontecer com sistemas planetários quando suas estrelas chegam ao fim da vida.

O próprio Sol deverá, dentro de bilhões de anos, transformar-se em uma anã branca. Durante esse processo, os planetas internos do Sistema Solar deverão enfrentar mudanças extremas.

A NASA já registrou diversos casos de anãs brancas cercadas por discos de detritos formados por restos de asteroides, cometas e planetas destruídos. 

Esses sistemas funcionam como uma espécie de laboratório natural para entender como planetas podem sobreviver, desaparecer ou até se formar novamente após a morte de uma estrela.

Um planeta que nasceu e agora pode estar desaparecendo

O chamado “planeta fênix” apresenta um cenário raro: ele aparentemente nasceu do material deixado pela estrela e agora está perdendo sua própria matéria de volta para ela.

A descoberta mostra que a evolução dos sistemas planetários pode ser muito mais complexa do que se imaginava.

Em vez de simplesmente terminar quando uma estrela morre, um sistema pode passar por uma segunda fase de formação planetária — ainda que esses novos mundos também possam enfrentar destinos extremos. 

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