Ibovespa dispara e dólar cai após 1º turno das eleições; mercado reage ao resultado presidencial

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Bolsa brasileira teve forte valorização e dólar recuou após Flávio Bolsonaro terminar o primeiro turno à frente de Luiz Inácio Lula da Silva; investidores passaram a reavaliar expectativas para política fiscal e economia

O mercado financeiro brasileiro registrou uma forte reação após o resultado do primeiro turno da eleição presidencial de 2026, realizado no domingo, 4 de outubro.

Na segunda-feira, 5 de outubro, o Ibovespa avançou 7,7% e encerrou aos 206.911 pontos, alcançando um novo recorde de fechamento e terminando, pela primeira vez, acima dos 200 mil pontos.

Ao mesmo tempo, o dólar registrou uma das maiores quedas diárias dos últimos anos. A moeda norte-americana recuou 4,12%, para R$ 5,0022, no mercado à vista.

Resultado das urnas surpreendeu parte do mercado

No primeiro turno, Flávio Bolsonaro (PL) recebeu 47,03% dos votos válidos, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) obteve 45,16%.

A diferença foi de aproximadamente 2,2 milhões de votos, e os dois disputarão o segundo turno em 25 de outubro.

O resultado contrariou parte das pesquisas divulgadas na reta final da campanha e provocou uma rápida reavaliação dos ativos brasileiros pelos investidores.

Por que a Bolsa subiu?

A reação positiva ocorreu porque parte dos investidores passou a considerar maior a possibilidade de uma mudança na condução da política econômica e fiscal caso Flávio Bolsonaro vença o segundo turno.

Analistas ouvidos por veículos especializados associaram o movimento à expectativa de maior controle dos gastos públicos, reformas econômicas e redução do risco fiscal. Essas são, porém, expectativas do mercado e não resultados econômicos já concretizados.

O próprio tamanho da valorização indica que houve uma forte reprecificação de risco: entre a sexta-feira anterior à eleição e a abertura da segunda-feira, não houve uma mudança equivalente nos fundamentos da economia brasileira, mas houve alteração significativa nas expectativas políticas dos investidores.

Dólar teve maior queda diária desde 2018

A moeda norte-americana acompanhou o movimento.

O dólar à vista encerrou a segunda-feira em R$ 5,0022, queda de 4,12%. Segundo dados do mercado, foi a maior desvalorização diária da moeda diante do real desde junho de 2018.

Com maior procura por ativos brasileiros e aumento do fluxo de recursos para o país, o real ganhou força.

Além do câmbio e da Bolsa, os juros futuros também recuaram, refletindo expectativas de menor percepção de risco fiscal no longo prazo.

Bancos e empresas ligadas ao mercado doméstico dispararam

A valorização não ocorreu de maneira uniforme entre todas as empresas.

Ações de bancos e companhias sensíveis aos juros estiveram entre as maiores altas. Durante o pregão, papéis de empresas como B3, BTG Pactual e Magazine Luiza chegaram a registrar avanços superiores a 20%.

Na abertura, Banco do Brasil, Bradesco e Itaú também registraram fortes valorizações, em meio à queda dos juros futuros.

A lógica observada pelo mercado é que juros menores podem favorecer crédito, consumo, investimentos e empresas mais dependentes da atividade econômica doméstica.

Resultado do Congresso também entrou no radar

Além da eleição presidencial, investidores acompanharam atentamente a composição do novo Congresso Nacional.

O PL ampliou sua representação no Senado e na Câmara dos Deputados, fator interpretado por alguns analistas como possibilidade de maior apoio parlamentar a determinadas propostas econômicas caso Flávio Bolsonaro seja eleito.

A avaliação, contudo, dependerá das negociações políticas da próxima legislatura e do conteúdo efetivo das propostas apresentadas ao Congresso.

Entusiasmo do mercado não elimina riscos fiscais

Apesar da forte valorização dos ativos, especialistas alertam que a reação inicial não significa que os problemas fiscais brasileiros estejam resolvidos.

Análise da Reuters destacou que eventuais propostas para reduzir impostos ou controlar despesas terão de enfrentar uma estrutura orçamentária com grande parcela dos gastos já comprometida por despesas obrigatórias.

Por isso, a capacidade de qualquer próximo governo de estabilizar a dívida dependerá não apenas de promessas eleitorais, mas também de medidas concretas, aprovação no Congresso e execução fiscal.

Segundo turno permanece decisivo

Flávio Bolsonaro e Lula agora avançam para o segundo turno, marcado para 25 de outubro de 2026.

Até lá, o mercado deverá acompanhar pesquisas eleitorais, declarações dos candidatos, propostas econômicas e possíveis mudanças nas expectativas para a política fiscal.

A forte movimentação registrada depois do primeiro turno mostrou como o cenário político passou a ter influência direta sobre o preço dos ativos brasileiros, mas os próximos movimentos dependerão tanto da disputa eleitoral quanto das sinalizações econômicas apresentadas nas próximas semanas.

Em resumo, a alta histórica da Bolsa e a queda do dólar refletiram principalmente uma mudança nas expectativas dos investidores após o primeiro turno — e não uma mudança imediata nos fundamentos da economia brasileira.

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