Regente teve mais de quatro décadas de carreira, comandou importantes orquestras do Brasil e também traçou trajetória ligada à produção fonográfica e à formação de novos músicos.
O maestro Roberto Tibiriçá morreu aos 72 anos , após cerca de dois anos de tratamento contra um câncer. Considerada uma das principais referências da música erudita brasileira contemporânea, ele construiu uma carreira de mais de quatro décadas marcada pela regência de grandes orquestras, pela formação de músicos e pela atuação em diferentes áreas da produção musical.
A morte ocorreu na sexta-feira, 2 de outubro , em São Paulo. O Theatro Municipal da capital paulista lamentou a perda e destacou a importância de Tibiriçá para músicos, alunos e instituições que fizeram parte de sua trajetória.
Mais de 40 anos dedicados à música
Nascido em São Paulo, Tibiriçá começou a estudar piano ainda criança e teve contato com nomes importantes da música brasileira durante sua formação.
Ao longo da carreira, esteve à frente de algumas das principais orquestras do país, incluindo a Orquestra Sinfônica Brasileira, Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp), Orquestra Sinfônica de Minas Gerais e Orquestra Sinfônica do Paraná . No exterior, também regeu a Orquestra Metropolitana de Lisboa.
Em 1994 , produziu a direção artística e a regência titular da Orquestra Sinfônica Brasileira, ampliando sua projeção no cenário nacional. Sua atuação foi reconhecida tanto pela crítica especializada quanto por instituições ligadas à música de concerto.
Trabalho também alcançou a área fonográfica
Além dos palcos, Roberto Tibiriçá desenvolveu uma trajetória ligada ao universo fonográfico , participando de projetos que aproximaram a música de concerto do registro em discos e outras produções musicais.
Essa atuação ajudou a ampliar o alcance de seu trabalho para além das apresentações ao vivo e integrou uma carreira marcada pela defesa e divulgação do repertório erudito brasileiro.
O maestro também ocupou a Cadeira nº 5 da Academia Brasileira de Música e foi membro honorário da Academia Nacional de Música.
Contribuição para novos músicos
Nos anos 2000, Tibiriçá também foi diretor artístico do Instituto Baccarelli , instituição conhecida por projetos de formação musical e inclusão social.
Durante sua passagem pelo instituto, contribuiu para a consolidação da Orquestra Sinfônica Heliópolis e para a formação de jovens músicos da comunidade paulista.
Nos últimos anos, mantinha forte ligação com a Orquestra Sinfônica do Paraná. Desde 2022, foi regente titular e diretor musical da instituição , participando de concertos e projetos voltados para a música de concerto e novos públicos.
Últimos anos à frente da Orquestra Sinfônica do Paraná
Mesmo durante o tratamento de saúde, Tibiriçá continua trabalhando. Uma de suas últimas apresentações no Teatro Guaíra aconteceu em julho de 2026, durante um concerto realizado em homenagem a uma fundadora das da Orquestra Sinfônica do Paraná.
O maestro também participou das comemorações dos 40 anos da orquestra , em apresentação que reuniu mais de 200 músicos e coralistas no palco do Guairão.
Com sua morte, Roberto Tibiriçá deixa um legado que ultrapassa a regência: sua trajetória reunida interpretação musical, formação de jovens artistas, produção fonográfica e esforços para tornar a música erudita mais próxima de novos públicos.

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