Mariene de Castro celebra xotes e baiões em novo show ‘Cantadeira’

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Cantora baiana apresentou no Circo Voador um repertório dedicado às raízes nordestinas, com clássicos do forró, projeções do Recôncavo Baiano e forte presença da sanfona.

A cantora Mariene de Castro apresentou na noite de sábado (3), no Circo Voador, no Rio de Janeiro, o show “Cantadeira” , projeto que amplia sua ligação com a cultura popular nordestina e coloca xotes, baiões e o forró de raiz no centro do repertório.

Conhecida pela forte relação com o samba de roda e a musicalidade baiana, Mariene propõe no novo espetáculo um deslocamento dentro de seu próprio universo artístico. A cantora mantém raízes no Nordeste, mas direciona o repertório para sonoridades associadas ao sertão, às festas juninas e à tradição da sanfona.

Projeto nasceu no Recôncavo Baiano

“Cantadeira” surgiu a partir de um projeto audiovisual gravado em Castro Alves, município do Recôncavo Baiano , durante o período das festas juninas. O cenário escolhido foi uma casa de taipa preparada especialmente para a gravação durante o Arraiá do Poeta.

A proposta transforma elementos do cotidiano nordestino — a casa, o terreiro, as reuniões familiares e as festas populares — em parte da narrativa musical do projeto.

No Circo Voador, imagens registradas durante a gravação na Bahia foram exibidas em um telão, conectando o espetáculo carioca ao ambiente onde “Cantadeira” foi concebida.

Luiz Gonzaga abre o repertório

O show começou com “Hora do Adeus” , baião composto por Luiz Gonzaga e Onildo Almeida. A escolha já indicou a direção musical do espetáculo, marcada pela presença da sanfona e pela valorização de compositores ligados à tradição nordestina.

Entre as músicas apresentadas foram “A Natureza das Coisas” e “Lembrança de um Beijo” , de Accioly Neto, além de “Se Tu Quiser”, de Xico Bizerra.

Mariene também interpretou “Caxixi (Bonitinha)” , de Roque Ferreira, e “Preciso de Teu Sorriso”, de João Leocádio da Silva e Enok Dantas, composição que integrou o repertório de Dominguinhos.

Caetano Veloso e Chico César entram no roteiro

O espetáculo não ficou restrito aos xotes românticos. Mariene liderou ao palco uma interpretação de “Cajuína” , de Caetano Veloso, com um arranjo marcado pela zabumba.

Outro momento de mudança de clima ocorreu com “Beradéro” , de Chico César, apresentado com uma sonoridade mais intensa e baseada na percussão. Na sequência, o baião “Anjo Querubim”, de Petrúcio Amorim, retomou a atmosfera romântica da apresentação.

Sanfona ganha protagonismo

Com direção musical do arranjador e multi-instrumentista Fábio Cunha , “Cantadeira” dá papel central ao acordeon. No espetáculo, o instrumento é tocado por Gel Barbosa.

Na apresentação do Rio de Janeiro, o acordeonista baiano Cicinho de Assis também participou do show, reforçando a sonoridade característica do forró.

A banda também reúne músicos no violão, baixo e percussão, formando uma base que transita entre forró, baião, xote e outras manifestações da música popular nordestina.

‘Quebradeira de coco’ encerra noite com intensidade

Um dos momentos de maior força cênica aconteceu na reta final do espetáculo. Depois de apresentar “Cantiga de Cangaceiro” , Mariene encerrou o roteiro com “Quebradeira de Coco”, ambos de Roque Ferreira.

Com “Cantadeira”, Mariene de Castro amplia seu repertório sem romper com a identidade construída ao longo da carreira. O novo projeto transforma memórias, afetos e tradições do Nordeste em um espetáculo que reúne romantismo, festa e resistência cultural.

O registro audiovisual gravado na Bahia ainda deverá chegar às plataformas, mas a data oficial de lançamento não havia sido detalhada até esta segunda-feira (5).

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