Masoud Pezeshkian criticou declarações de Donald Trump, afirmou que Teerã está aberto a negociações e rejeitou acusações de que o país busca desenvolver armas nucleares
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian , afirmou nesta quarta-feira (23), durante discurso na 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas , em Nova York, que seu país não pretende se render diante da pressão dos Estados Unidos, mas continua disposto a buscar uma solução diplomática para o conflito.
A manifestação ocorre um dia depois do presidente norte-americano, Donald Trump , utilizar o mesmo palco para defender a atuação dos Estados Unidos contra o Irã e anunciar sobre a possibilidade de novas ações militares caso não seja conseguido um acordo para encerrar a guerra.
Durante seu discurso, Pezeshkian acusou Trump de adotar uma postura de intimidação e declarou que ameaças não fariam o governo iraniano abandonar suas posições. Ao mesmo tempo, repetiu que Teerã permanece aberto ao diálogo, já que as negociações não ocorrem, segundo ele, sob pressão ou ameaça de uso da força.
Pezeshkian responde às declarações de Trump
O discurso do presidente iraniano foi marcado por respostas diretas às declarações feitas pelo líder dos Estados Unidos na terça-feira (22).
Trump havia afirmado que eu tinha decidido entre buscar um acordo que permitisse ao Irã reconstruir o país ou ampliar a experiência contra a República Islâmica caso não houvesse entendimento. O presidente norte-americano também voltou a argumentar que sua política busca impedir que Teerã desenvolva uma arma nuclear.
Pezeshkian, por sua vez, declarou que os iranianos não aceitariam se submeter às pressões externas e afirmou que o país continuará defendendo seus interesses.
O presidente iraniano também apresentou imagens durante sua intervenção para destacar as vítimas iranianas do conflito e acusar Estados Unidos e Israel de ataques contra civis. Essas declarações representam a posição apresentada pelo governo de Teerã sobre a guerra.
O Irã afirma estar aberto às negociações
Apesar do tom de confronto, Pezeshkian apresentou diversas vezes a possibilidade de uma saída negociada.
Segundo a Reuters, o presidente afirmou que o Irã está preparado para “diálogo, diplomacia e negociações” , mas enviou conversas conduzidas mediante ameaças.
As declarações coincidem com novos contatos indiretos entre representantes de Washington e Teerã nos bastidores da Assembleia Geral.
Representantes dos dois governos realizaram negociações por meio de mediadores em Nova York, nos primeiros contatos desse tipo em meses. Os enviados norte-americanos Steve Witkoff e Jared Kushner participaram das conversas, enquanto o lado iraniano manteve a comunicação por meio de países mediadores.
Até o momento, entretanto, não foi anunciado um acordo nem uma mudança significativa nas posições públicas das duas partes.
Programa nuclear segue no centro das divergências
Outro tema abordado pelo presidente iraniano foi o programa nuclear do país .
Pezeshkian voltou a afirmar que o Irã não pretende desenvolver armas nucleares. A questão está no centro das divergências entre Teerã e Washington, já que os Estados Unidos apontam o programa nuclear iraniano como uma das principais razões para iniciar o governo da República Islâmica.
Washington também acusa o governo iraniano de apoiar grupos armados no Oriente Médio. As autoridades iranianas rejeitaram parte dessas acusações e sustentaram que suas ações militares e alianças regionais fazem parte de sua estratégia de defesa.
As diferenças sobre o programa nuclear, a segurança regional e as condições para um cessar-fogo continuam sendo alguns dos principais obstáculos para um eventual acordo.
Delegação dos Estados Unidos deixa plenário
A delegação dos Estados Unidos deixou o plenário no início do discurso de Pezeshkian, segundo a Reuters. A missão norte-americana na ONU não apresentou imediatamente uma explicação pública para a saída.
O episódio ocorreu em meio ao aumento das diplomáticas entre os dois países e às tentativas simultâneas de abertura de canais de negociação.
Pezeshkian é a principal autoridade iraniana e participa presencialmente nesta edição da Assembleia Geral. A administração norte-americana autorizou a entrada de uma delegação reduzida do Irã em Nova York, cumprindo as obrigações relacionadas à sede das Nações Unidas, mas distribuindo restrições de deslocamento aos membros do grupo.
Guerra relacionada à segurança e ao comércio internacional
A disputa entre Estados Unidos e Irã tem repercussões que ultrapassam a relação bilateral.
Um dos principais pontos de preocupação é o Estreito de Ormuz , passagem marítima estratégica para o comércio internacional de petróleo e gás. O conflito provocou restrições à navegação na região, afetando transportadoras, mercados de energia e países dependentes das rotas do Golfo Pérsico.
Nesta quarta-feira, as autoridades marítimas também informaram que um embarque foi atingido por um projeto enquanto atravessava o estreito. A origem do ataque não foi especificada no momento da divulgação das informações.
ONU se torna palco de confronto diplomático
Os discursos consecutivos de Trump e Pezeshkian transformaram a Assembleia Geral da ONU em um dos principais espaços diplomáticos para a disputa entre os dois governos.
Enquanto Washington insiste em garantias relacionadas ao programa nuclear iraniano e à atuação regional de Teerã, o governo iraniano exige o fim das operações militares e rejeita negociações que considerem realizadas sob coerção.
A 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas reúne líderes mundiais entre os dias 22 e 28 de setembro, em Nova York, com guerras, segurança internacional, mudanças climáticas, desenvolvimento econômico e inteligência artificial entre os principais temas do debate.
O discurso de Pezeshkian mostrou que, apesar da forte troca de acusações entre Teerã e Washington, os dois governos mantêm canais indiretos de negociação , que poderão determinar os próximos passos da crise no Oriente Médio.











